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MATERNIDADE E O PODER DA CRIAÇÃO NO CAOS

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Um Big Bang sendo reinventado e explodindo dentro de um corpo que nunca mais será o mesmo. Assim, a cantora e compositora Lila (e minha amiga, graças a Deus), descreve a maternidade num relato para o Hysteria (portal para o qual também escrevo de tempos em tempos). Adorei a analogia entre o começo do Universo e o surgimento de um outro imenso mistério que é ser mãe, algo que sempre senti com muita intensidade, mas talvez ainda não tenha conseguido expressar tão bem como ela fez.

SOBRE VIRAR MÃE (E TRANSFORMAR ISSO EM DISCO)

Bom, hoje é dia do lançamento. Sim, ainda lançamos coisas no mundo. Ideias, sentimentos, música. A primeira faixa do disco novo da Lila, “Bené”, está no ar (escute clicando aqui)! E como ando tateando palavras o tempo todo para falar sem ser leviana, achei que seria bonito contar sobre o que eu vi e ouvi desse projeto até aqui.

Lila maternidade

Eu vi nascendo o seu filho, Bené, amigo da minha filha Flora. Eu vi nascendo essa mãe e morrendo a antiga Lila, enquanto eu também renascia. Vi surgindo a melodia e as letras do seu novo álbum chamado “Puérpera”. Acompanhei essa produção que era trabalhada entre uma mamada e outra, uma soneca e outra, ou entre uma fralda e outra.

QUANDO ELA DIZ SIM: MAIS SOBRE A CANTORA LILA

Em menos de um ano e meio ela levantou – com seu puro desejo de explodir com esse Big Bang em amor para compartilhar luz e poesia – um disco. Outro parto. Artístico, estético, feminino, feminista, ativista. É tudo isso, sim, porque amor em tempos de cólera ou em qualquer tempo é algo revolucionário e que tem poder. De transformar.

Ouvir cada faixa desse álbum sendo gerado foi um processo complementar à minha maternidade, também em pleno florescer, um momento que a gente sabe que não é trivial e de onde muita beleza vem. Parece que a gente morre e quer voltar só porque a vida pode ser muito mais do que já foi, mesmo intuindo que essa vida nova exija um esforço sobrenatural, como é a força das contrações, a força que temos de passar aguentando tudo para dar ao rebento o espaço do infinito. A força da mãe.

Quando damos o infinito a alguém, parimos um mundo onde tudo passa a ser tão grande e tão pequeno. Tudo passa a ter dimensões nunca antes percebidas. Nossa história, nosso futuro. É pura incerteza. Filhos ensinam impermanência e desapego.

Esse disco, agora, também me acompanha, nos acompanha, num momento em que sinto tudo suspenso e ainda mais incerto, se é que isso é possível. É que, agora, não se trata mais do eu de antes e de depois. Se trata disso e muito mais.

Estamos em transição para uma realidade nova. E se tem alguma coisa que vale a pena se segurar e assegurar é a arte e o afeto. Bens essenciais para atravessar toda essa fase. Pedi para que ela me contasse mais sobre isso e sobre a escolha de manter de pé o lançamento de “Bené”, a primeira música do disco lançada hoje, neste exato agora, tão cheio de caos e tão potente em expansão:

“Quando eu pari, todo meu corpo morreu pra que um ser humano pudesse nascer. Meu corpo precisava ceder ao mundo um órgão interno que fora seu por nove meses. Imagina a dor de expulsar um coração, um rim, um pulmão, um cérebro. Tudo ao mesmo tempo.

Eu precisava falar sobre isso e tantas outras coisas que me atravessaram durante a gravidez. Precisava tanto que abandonei um disco já iniciado pra começar outro do zero. “Puérpera” é um disco de renascimento. O meu.

Lançar esse clipe agora fez sentido porque acho que estamos tendo a oportunidade de nos refazer como sociedade. Parece que é hora de ver nascer um novo mundo. O parto, o puerpério, as mudanças, tudo parece se repetir pra mim. De certa forma ‘Bené’ é a criança que traz uma luz de esperança para esse novo que virá”, Lila, mãe do Bené (que é um moleque muito maravilhoso).

Ficha Técnica: foto capa – Lucas Bori, beleza – Teo Miranda, direção de arte – Pedro Garcia, produção musical – Diogo Strausz e Tomás Tróia, edição clipe – Renata Chebel

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