Colunistas/ Kelly Silveira Camargo/ Para pensar junto

A VIDA É FEITA DE
PEQUENAS MORTES

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Nossa vida é feita de pequenas mortes. Estamos morrendo e renascendo a todo instante. Da mesma forma como as células do nosso corpo morrem e se renovam constantemente, como um novo dia começa e como as estações do ano se revezam, nossa vida acontece em ciclos.

Quando esses ciclos se encerram, passamos por períodos de transições. Pode ser o final da infância e da adolescência, que são processos graduais, ou algo repentino, como a morte de alguém da família, o término de um relacionamento, a saída ou troca de um emprego.

Essas transições são oportunidades de reorganizar a vida e mudar antigos padrões para experimentar novos comportamentos. Por se tratar de um período de mudança muitas vezes nos sentimos perdidos, soltos e sem saber para onde ir ou o que fazer.

Somos levados para um lugar novo e desconhecido, um oceano sem forma, sem limites e sem data preestabelecida para acabar, o que pode criar um grande vazio.

Tenho passado por algumas destas transições e, certo dia, alguém  me fez a sugestão de que eu buscasse a sensação de estar boiando no mar, sem pensar muito ou tentar controlar qualquer situação. Eu parei para refletir e me dei conta de que não sei boiar. Para conseguirmos flutuar na água precisamos somente encher os pulmões de ar e relaxar, confiar e perder um pouco o controle, o que é para mim uma grande dificuldade.

Algumas fases da nossa vida, como quando passamos por mudanças, exigem exatamente isto, que possamos abrir mão do controle para que o corpo e a mente possam se reorganizar e assimilar os novos aprendizados, como uma preparação para o que está por vir.

São estes períodos que nos convidam a entrar mais em contato com nossos sentimentos, insights, sonhos e imagens possibilitando assim a criação de padrões próprios e autênticos. É o momento de confiarmos na vida e estarmos prontos para o que ela tem para nós.

Neste fim de ano quero aprender a boiar, preciso acomodar as minhas mortes.

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