Colunistas/ Cris Nunes/ Para pensar junto

O PULO DA GATA:
DA LOUCA À MAGA

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Quando a gente quer se reinventar, precisa passar por um processo de ruptura que funciona como uma libertação. Não tem como descobrir novas potencialidades, enquanto se está presa em velhos moldes de expressão ou em antigos padrões de pensamentos.

Então, primeiro, a gente precisa fazer a Louca mesmo. Isso tem uma relação com minha trajetória profissional, em como larguei minha estável vida CLT – com vale-refeição, 13° salário, férias remuneradas, bônus anual, plano de saúde, plano odontológico, etc – para me lançar no empreendedorismo – em que só há o meu “vale-vontade”. E digo que estou muito mais feliz assim.

É importante dizer que cada um tem seu contexto e prioridades. O que serve para mim pode não servir para você. Mas o que aconteceu comigo pode inspirar você. É tudo uma questão de perspectiva.

Voltando: eu não fiz um planejamento prévio para essa transição profissional. Ela simplesmente aconteceu. Ela pediu para acontecer e a vida me empurrou. Na verdade, ter um estilo de vida mais autônomo era algo que eu queria muito, mas não via como possível. Estava tão acostumada com uma forma de trabalhar e de ganhar dinheiro, que foi muito enraizado na minha criação e educação. Fui treinada desde criança a almejar um emprego estável e fazer carreira numa grande empresa. Aprendi que isso era sinônimo de sucesso e, principalmente, de segurança.

Mas estava muito triste e insatisfeita com meu lifestyle, trabalhando alocada num esquema rígido de horário. O salário estável que ganhava gastava de forma compulsiva como válvula de escape para minhas frustrações. Era um consumismo desenfreado. Afinal, eu sabia que ia ter a mesma quantia no próximo mês. Além disso, eu passava o dia contando as horas para ir embora, extravasar no fim de semana – ou no meio da semana mesmo – e não sentia que estava dando o melhor de mim. Aliás, nem tinha mais vontade de dar o melhor de mim, porque não via sentido no que eu fazia.

No entanto, aproveitei a estabilidade do meu emprego para mergulhar em cursos e terapias. Eu procurava respostas e queria quebrar padrões de comportamento que me limitavam, porque sentia que uma hora teria que vivenciar essa mudança profissional. Não queria passar o resto da minha vida num estilo de vida que não era para mim.

Uma hora, fiz a Louca. Mesmo não tendo um plano B estruturado, pedi demissão porque tinha chegado no meu limite. Sentia que estava perdendo minha energia vital. Apesar de ser um ato impulsivo, senti um alívio imenso.

O LOUCO E O MAGO NO TAROT

O Louco, no Tarot, pode ser o caos ou o impulso para a criação de um novo caminho. É o Arcano 0 ou 22. Não tem posição fixa na jornada. No caso, escolhi ouvir meus ímpetos, porque se a gente não aprende a correr certos riscos, a vida pode virar um deserto estéril e previsível demais. Às vezes, é preciso romper com lógica das coisas para resgatar a própria essência.

Mas depois da Louca, vem a Maga. O imprevisível e o desconhecido forçam a descobrir um lado que até então nem se imagina que existe em você. Coisas que temos capacidade de fazer, novas habilidades, criatividade, inventividade, às vezes, até mágica.

Você se revela uma Maga. Sente sua energia novamente pulsar, com aquele gostinho da descoberta, com novos caminhos, novas pessoas, novos relacionamentos, nova rotina e tudo novo. O novo atrai o novo.

Novidades aparecem para quem abre espaço a elas. Isso é vivenciar o Mago, o Arcano I. Ele representa o início e o aprendizado. A sua imaginação organiza as oportunidades. Onde há vontade, há potencialidades e possibilidades.

Empreender para mim foi começar tudo de novo. Reaprender como fazer. Ora tentativa e erro, ora tentativa e acerto. Tem altos e baixos, mas acredito que pende mais para o lado em que você decide apontar sua varinha de Maga. Porque quanto mais você for sua própria referência, mais chance você tem de criar a vida que deseja.

Não se compare com os outros. Cada um tem sua trajetória, contexto e prioridades, como eu já disse acima. A comparação desanima, faz achar que estamos perdendo ou algo está faltando. Na comparação, nunca nada será suficiente.

Se você souber usar o seu “vale-vontade” e acreditar que tem capacidade de atrair e criar novas oportunidades, provavelmente, conseguirá se lançar no estilo de vida ou no trabalho que deseja. Eu acredito em sincronicidade e com certeza você vai descobri-la se permitir-se fazer a Louca e apontar sua varinha de Maga na direção em que sua energia interna pulsa.

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