Beleza Crua

O BATOM VERMELHO E NOSSOS POSSÍVEIS ACORDES CROMÁTICOS

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Vermelho na boca não só empodera quem ostenta “a cor entre as cores”, como conceituou Eva Heller, socióloga e psicóloga alemã especializada em teoria das cores e autora de um dos livros mais emblemáticos sobre o assunto: A psicologia das cores.

O batom vermelho traz personalidade e atenção dos olhos para uma boca que tem discurso mesmo calada. Afinal, batom vermelho é sinônimo de liberdade, de confiança, de poder e até de uma certa alegria.

Para Eva, as cores são muito mais do que um fenômeno óptico. Elas são capazes de provocar sentimentos e nunca serão destituídas de significado. O vermelho, por exemplo, vai do amor ao ódio e é uma das cores primárias que mais nos remete a elementos essenciais; o sangue e o fogo. 

Usei o On Fire da Face It para fazer a foto desse post, um dos meus vermelhos preferidos do momento. Vegano, crueltyfree, premiado, cheio de óleos naturais nutritivos

Ao vermelho não temos como passar incólumes. As mensagens emocionais e símbolos sugeridos pela cor são fortes, sendo associadas também a lutas políticas como o feminismo e mesmo o socialismo. E não importa em que lado você está, é impossível ignorar a presença de um objeto, um símbolo, um corpo vermelho em qualquer espaço e em qualquer cultura. É universal o seu impacto.

No entanto, as impressões que causam uma cor são afetadas por um “entrelaçamento de significados” e contextos. “A cor num traje será avaliada de modo diferente do que a cor num ambiente, num alimento, ou na arte”. O batom vermelho, por isso, já é um capítulo a mais e dos mais importantes na história da beleza.

Ora demonizado, ora glorificado, o batom vermelho causa inúmeros efeitos em quem usa e nos outros. O episódio Batom vermelho do podcast Beleza pra quem, apresentado pela maquiadora e comunicadora Fê Guedes, traz um panorama amplo e riquíssimo de informações históricas sobre o batom no cenário social mundial. O conteúdo é quase um estudo antropológico a partir do item de maquiagem mais icônico até hoje. Vale ouvir!

Aqui, quero me apegar à potência e à pluralidade do vermelho para a boca como uma cor que, sim, vai do amor ao ódio, ou melhor, do pueril ao extremamente provocador e sexy. Isso porque existem muitos tons possíveis e uma cor nunca está sozinha, está sempre acompanhada de outras cores como num “acorde cromático” único. Eva, no seu livro, lista ao menos 105 tipos de vermelho entre subtons conhecidos da linguagem popular e outros técnicos usados por artistas.

Bom, onde quero chegar com isso tudo? Acho que quero provar uma teoria que sempre tive de que é possível sim que qualquer pessoa fique linda com um batom vermelho e, claro, quero incentivar quem ainda não se deu o prazer de pintar os lábios como uma “Marina Morena de Caymmi” à revelia da sua autocrítica.

Sim, o batom vermelho intimida, apensar do fascínio que causa… No IGTV do CENA CRUA (aqui) publiquei um vídeo passando batom vermelho e uma amiga comentou que adorava, mas nunca conseguia usar porque achava que não ficava bem.

Para ela e todes, eu digo: fica sim! Todo mundo fica bem de batom vermelho! Independente dos estudos de coloração pessoal, que eu acho super interessantes e úteis, as várias tonalidades da cor devem ser testadas porque uma ou outra pode ficar mais confortável na sua pele e estilo. E esse processo pode ser instintivo, subjetivo e muito pessoal.

Dos mais fechados, como os vinhos ou o púrpura, até os mais abertos e vibrantes, quase pink, cereja, passando pelos alaranjados, os ocres… é infinita a oferta no mercado de cosméticos, até mesmo de produtos naturais e de clean beauty que eu tanto amo e defendo. A dica é: tente ver com qual subtom de vermelho você se sente mais bonita. Experimentar, além do mais é divertido!

Depois, veja a intensidade da pigmentação que você gosta na boca. Aplique o batom direto nos lábios para um efeito mais forte ou com o dedo, de pouco em pouco, passe o batom como se fosse um desses balms multifuncionais para que a cor da sua boca vermelha seja construída de forma mais leve e natural.

Entenda as texturas que trabalham melhor com o formato da sua boca, se prefere os mattes ou os mais cremosos e até os transparentes. Vai dar certo!

Pronto! Finalize a maquiagem só depois do batom, porque é possível que precise de ajustes no corretivo e no blush que juntos vão pintar um quadro do seu rosto mais equilibrado, mais harmônico.

Última dica: use um iluminador leve, na área que quiser (pode ser acima do blush ou nos olhos) para dividir a atenção da boca com delicadeza, além do mais o iluminador dá vivacidade à pele e faz a gente ficar mais radiante como pede uma maquiagem com batom vermelho.

Se com tudo isso você ainda olhar no espelho e não curtir o resultado: tudo bem! Na verdade, nem todo dia a gente tá pra batom vermelho, né?  

Batom vermelho é estado de espírito, é mood do dia, é sentimento que pede ou não para ser expressado. É uma ferramenta de beleza poderosa e transformadora que, acima de tudo, vibra em sintonia com os nossos acordes cromáticos internos. Enfim, batom vermelho é vida!

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