Colunistas/ Shirley Cruz

NÓS POR NÓS:
UM CHAMADO URGENTE À SOLIDARIEDADE

por
shirley cruz solidariedade
Porque somos todos um e precisamos da força do coletivo Foto: Vivian Golombek

Vamos aos fatos: O mundo nunca sobreviveu sem a solidariedade. Agora, fazendo um recorte para o Brasil, território que eu posso falar com mais propriedade, afirmo seguramente que não podemos mais dar um passo à frente sem olhar para o lado, sem se colocar no lugar do outro e sem estender a mão, antes mesmo de sermos solicitados. É a tal da empatia, que apesar da palavra estar em alta, a aplicação dela na prática ainda é muito aquém do que precisamos e mais urgente do que nunca.

Ser solidário é curiosamente uma via de mão dupla. Quem ajuda também é altamente beneficiado, e se você já participou de campanhas ou fez alguma pequena ação individual em prol do outro, sabe do que estou falando. A sensação de paz e bem-estar que fica no coração alimenta a alma de um jeito que é praticamente impossível não querer experenciar isso novamente. É viciante. Aliás, tá aí, deveria ser a nova “droga” a ser consumida sem medidas pelo homem contemporâneo.

“Nós por nós” é na minha opinião o termo mais correto para o entendimento do que é ser solidário. É didático e nasceu num ambiente que não pode esperar mais nada: a favela.

Escrevo ainda sob o impacto do meu último trabalho, no qual entreguei duas matérias sobre o coronavírus nas favelas do Rio de Janeiro. Esse trabalho foi encomendado por dois dos maiores jornais da Noruega e quando pensei que ia dissertar sobre a pandemia, me deparei com a fome. Acreditem, no dia a dia das comunidades carentes, ela é mais temida e considerada pelos moradores mais grave do que a própria doença. Apesar de não ser uma pauta nova, a fome se potencializou violentamente com a chegada do Covid-19.

Aí é que o “Nós por nós” faz todo sentido, porque não deu para esperar a piedade da sociedade civil e muito menos do Governo. Foi necessário que os coletivos de dentro das comunidades se organizassem para se socorrer entre si.

Escolhi mergulhar na realidade do Complexo do Alemão, um conjunto de favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro com aproximadamente 180 mil moradores e muita dor. Conheci então o Gabinete de Crise*, que nasceu da união entre os projetos sociais Mulheres em Ação, Voz das Comunidades e Papo Reto, que sempre fizeram um trabalho assistencialista e que neste momento, numa operação de guerrilha, trabalham 24 horas (e não é um modo de falar) para alimentar e proteger os seus.

A gente vai ter que melhorar na marra e não pense que é só pelo outro. É por você, pela sua família e pelo futuro. Se questione em que mundo você quer viver? E com o quanto de amor e dignidade? Pode falar… zeramos o game, fomos forçados a dar uma espécie de restart.

Não vai existir outro momento melhor para planejar o agora. Sim, o agora, porque não está dando nem pra falar de futuro. Sejamos lúcidos, quer dizer lúdicos, não, lúcidos, rs … na verdade, sonho e realidade devem andar juntos para que os nossos desejos se concretizem.

Somos seres coletivos, não se enganem. Nasceu? Respirou? É um ser coletivo e isso já deveria estar claro para todos nós. Esse texto não é sobre culpa, é sobre urgência e amor. Sobre amor urgente!

É sobre a responsabilidade social em todos as esferas, inclusive política, que consiste na atenção redobrada na hora de votar. Foi mal… não vai dar mais pra falar só de flores. Não cabe mais ficar no raso, na beira da praia, no banho de balde, no superficial. Não vai dar mais, nunca deu. E pra mostrar que eu continuo otimista digo: Vai passar com certeza, mas só se você colaborar.

Se cuida, cuide do outro, ajude o próximo agora e se puder fique em casa.

Avante!

Para quem quiser acompanhar e ajudar diretamente, seguem os caminhos:

Gabinete de Crise do Alemão: @gabinetealemao

Mulheres em Ação: @meaa.oficial

Voz das Comunidades: @vozdascomunidades

Coletivo Papo Reto: @cpapo_reto

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