Bem-estar/ Colunistas/ Lifestyle/ Valentine Giraud

LUGARES TÊM FORÇA,
PARA ONDE VOCÊ DESEJA IR?

por

Lugares têm força. E não é à toa que desde a Antiguidade as pessoas fazem inteiras peregrinações de um lugar a outro. Seja pra agradecer ou para se desprender. Para crescer e evoluir, viagens a lugares sagrados trazem o poder de cura e de transformação.   

lugares mágicos especiais
Foto: Max Delsid, no Unsplash

Com a virada de um ano um tanto denso, resolvi escrever sobre os cinco lugares no mundo que, como diz o poeta irlandês John O’Donohue, “tocaram a parte do meu coração que encontra-se dormente em casa”. Parte dessa ideia foi para me fazer lembrar que essas maravilhas existem, mas principalmente, escrevo para inspirar aqueles que estão pensando em viajar para se cuidar e voltar com força total! Abro aqui, com ajuda de algumas poucas imagens que guardei e outras que encontrei, um álbum de viagens sob o olhar do coração, marcado eternamente pela força de cada um desses lugares.

Pushkar, India

A primeira vez que eu fui pra Pushkar eu tinha 23 anos e estava morando na Índia por um ano. Este vilarejo que fica à beira de um pequeno lago, no meio do Rajastão, era meu oásis no caos do dia-a-dia indiano. Pushkar é o destino de muitos peregrinos hindus e sikhs e é justamente isso que dá a ela uma energia tão especial.

Existem muitos templos espalhados pelo vilarejo, o principal deles é o templo para Brahma, uma das deidades da trindade Hindu. Todo dia, ao amanhecer e no final da tarde, os templos tocam seus sinos marcando o momento da puja (da oração), e é quando se pode observar os peregrinos entrando para se banharem nos ghats à beira do lago.

Em Pushkar, enquanto eu caminhava pelas ruelas cheias de gente e de cheiros (uma mistura de incenso com a fritura do doce típico do local, o jalebi), foi quando entendi no meu coração o significado de fluxo e da contínua troca de energia que fazemos com tudo ao nosso redor. Como se fôssemos bolhas de energia esbarrando umas nas outras, por vezes, permitindo que elas se furem e se misturem e, por vezes, só se tocando nos seus contornos maleáveis. 

Pushkar, foto Vidipt Saroj Kalla no Unsplash

Istanbul, Turquia

Istanbul é o cruzamento entre Leste e Oeste, Oriental e Ocidental. O berço de muitos impérios, a mistura do moderno com o antigo. Uma cidade mágica espalhada pelo Estreito de Bósforos. No coração do centro antigo, onde estão localizadas as duas grandes obras arquitetônicas da cidade, Hagia Sophia (a Basílica de Santa Sofia) e a Mesquita Azul, e o Grand Bazaar é onde pulsa a energia da cidade. 

Istambul tem um mistério e uma força tão grandes que poucos dias depois de chegar na cidade eu já sabia que precisaria ficar mais e explorar a fundo o que aquela região tinha para me ensinar. Uma estadia de uma semana tornou-se uma peregrinação pelo Oriente Médio que durou quatro meses. 

No dia do meu aniversário de 28 anos, lembro de estar deitada com meu namorado da época no gramado do jardim entre Hagia Sophia e a Mesquita Azul, o coração voando alto e solto com toda a alegria e liberdade que eu estava sentindo. Há dias vinha aprendendo sobre o sufismo e lendo os poemas místicos de Rumi. E deitada ali de olhos fechados, agradecida e apaixonada, com as mãos na grama sentindo o pulsar da terra, eu entendi de verdade, no meu corpo, algo que já tinha lido e ouvido. Eu entendi que “Deus é amor” e que existe uma lugar, como disse Rumi, entre o mal e o bem, que todos nós habitamos, e este lugar é o amor na sua mais pura essência. 

Basílica de Santa Sofia, foto de Daniel Burka, no Unsplash

Mount Shasta, EUA

Mount Shasta é uma pequena cidade nos pés de um vulcão de mesmo nome na Califórnia. A região é toda de trilhas que levam os visitantes a lagos alpinos, montes nevados e vistas incríveis. Mas o que atrai mesmo as pessoas para a região é a mística que existe ao redor do vulcão. Os indígenas que lá habitavam cultuavam-no com respeito e devoção. Hoje em dia, Mount Shasta é famoso por ser o local que irradia a luz de mestres ascencionados com Saint Germain.

Há anos queria conhecer Shasta e em 2019 tive a chance de passar três dias por lá. Minha visita começou na nascente do Rio Sacramento, lá pude receber a benção das águas que brotam do chão e encontram pela primeira vez o ar desde que estiveram dentro do vulcão. Na sequência, fui fazer uma caminhada até o Lago do Coração. O lago fica no meio da montanha e seu formato de um coração lhe dá a fama de ajudar a curar heartbreaks e outras dores de amor. No dia seguinte, caminhei pela base do vulcão e vi a lua cheia clarear o céu deitada sobre suas pedras. Foi sem dúvida uma das viagens mais energizantes e revigorantes do ano passado. No dia de ir embora acordei com o peito apertado. Shasta me tinha fisgado a alma. Eu queria ficar mais, mas não podia. Tenho a certeza que um dia voltarei.

Muita caminhada e descobertas por Mount Shasta

Esalen, EUA

Esalen é um pequeno paraíso cravado nos penhascos sobre o Pacífico ao lado da famosa Highway 1 na California. Ele foi criado em 1962 por Micheal Murphy e Dick Price e fora o berço de muitas iniciativas importantes do movimento da consciência humana. Esalen reúne um círculo extraordinário de pessoas e profissionais que trabalham nas mais variadas áreas de desenvolvimento do potencial humano. Por lá já aconteceram milhares de encontros, workshops e vivências que se provam experiências de transformação para muitas pessoas. 

Eu conheci Esalen há 7 anos quando era conselheira da Institute of Noetic Sciences também baseado na Califórnia. E ao longo dos anos fui algumas vezes para este lugar ímpar em inspiração e beleza. Minha maior descoberta foi o programa de voluntariado para trabalhar no jardim e na fazenda. Todos os dias o time que trabalha cultivando os alimentos para as refeições dos visitantes e cuidando dos lindos jardins da propriedade, recebe cerca de dez voluntários por quatro horas. Nosso turno começava sempre com um meditação em grupo no jardim e após a pausa para o café da manhã cada equipe sentava para fazer um check-in, de modo que todos pudessem compartilhar como estavam, se algo lhes incomodava, e assim resolver potenciais questões.

Trabalhar na terra foi o melhor jeito de conhecer profundamente Esalen, sentir sua energia e me conectar com a comunidade que lá vive. A vista do Pacífico em toda sua grandeza e expansividade, me abriam os horizontes nos momentos de dúvida. O céu mudando de cor e de forma a cada minuto, me inspirava a sonhar grande e o banhos nas piscinas termais no final do dia, observando o silêncio do voo das gaivotas e o bater das ondas no pé do penhasco completavam meus dias quando era hora de descansar. Foram noites a fio deitada no yurt do meu amigo Chad, conversando sobre ecologia, amor, espiritualidade, música e revolução e vendo as estrelas no céu escuro breu. Difícil de esquecer!

Para quem quiser saber mais sobre este centro de desenvolvimento humano e espiritual, que tem agenda o ano todo e é cheia de cursos como de yoga, massagem, meditação, arte, criatividade e ainda outros, entre no site (clique aqui!)

Foto do amigo Ian Rowan, que esteve comigo em Esalen

Serra Grande, Bahia

A primeira vez que eu fui para a região de Serra Grande, em Itacaré, eu estava no último ano do colegial. Era semana do saco cheio, recesso adotado por minha escola, e depois de passarmos por Trancoso os amigos dos meus pais sugeriram que fôssemos até Itacaré. Na época, a estrada que liga Ilhéus a Itacaré tinha acabado de ser asfaltada e aos poucos os turistas de mais longe iam descobrindo a beleza daquelas praias e florestas. A região sempre fora conhecida como a costa do cacau, e justamente por isso preservou uma grande área de Mata Atlântica intocada já que o cacau nasce na sombra da mata.

Meus pais, que trabalham com conservação ambiental há anos, tocados com a possibilidade de aquelas matas tornarem-se pasto com a destruição causada pela praga vassoura da bruxa, decidiram comprar uma fazenda por lá justamente para preservar a mata. Desde entao, vou para este paraíso todo ano. É lá onde me reenergizo e ganho novas forças para enfrentar o ano. A mistura perfeita de rio, cachoeira, mar, mata e sol e muita calma e silêncio, fazem da Juerana Milagrosa (nome da fazenda) meu refúgio perfeito. Isso sem contar com as noites quentes deitadas sob as estrelas brilhantes, a barra do Rio Tijuípe, um lugar mágico onde o rio encontra com o mar e céu, água e areia se confundem numa dança sem fim. A região tem ótimas opções de praias, todas sempre com um número perfeito de pessoas e a dose exata de pouca civilização e muita natureza. Minha praia favorita é a Prainha, que já foi votada entre as mais bonitas do Brasil. 

A Juerana Milagrosa hoje funciona como uma pousada ecológica e recebe hóspedes ao longo do ano. Com acomodações simples, porém charmosas. Tudo lá foi pensado para causar pouco impacto ambiental. A eletricidade vem de placas solares, o aquecimento da água conta com o calor do sol e a alimentação é toda vegetariana com receitas que valorizam os ingredientes da região. A especialidade da casa é a moqueca de palmito de dendê. Para quem busca uma imersão de conexão profunda com a natureza, é mais um pedacinho de céu na terra. 

Para conhecer mais sobre a fazenda clique aqui! Aproveito para deixar a pergunta no ar. E você, para onde deseja ir em 2020?

Banho de cachoeira em Serra Grande

+ RITUAIS NO TRABALHO E NA VIDA

+ NO ANO DO SOL: BRILHO

Você pode também gostar de

Sem comentários

Deixe uma resposta