Colunistas/ Para pensar junto/ Veronika Rosse

HUMANIDADE EM DESENCANTO (QUE BOM!)

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Estamos acordando de uma vida baseada em necessidades materiais e desejos que nos foram impostos socialmente. Enquanto tudo aos poucos vai se revelando e vindo à tona para o consciente coletivo, ficamos com preguiça de continuar no modus operandi de sempre.

humanidade
Photo by sergio souza on Unsplash

A humanidade está tentando encontrar o caminho de volta para o que é essencial, sem saber ainda como fazer isso. Na minha opinião – aliás, todo o texto aqui se trata de um ponto de vista particular – a resposta está no coletivo para atravessarmos os marcadores que faltam para a Nova Era (se você ainda não conhece este tema, aconselho dar uma googlada). Precisamos nos conectar com os desejos do coletivo, descobrindo como focar em ações efetivas de transformação.

Passamos tanto tempo pensando em onde e como vamos morar, casar, estudar e criar nossas famílias, que construímos uma sociedade quebrada. Estamos quebrados porque não andamos juntos há muito tempo, porque acreditamos que estamos separados um dos outros. Afastados porque enxergamos nas realizações pessoais a única chave para a felicidade.

Ainda não conseguimos compreender nossa própria natureza e o que mais deveria nos unir: nossa humanidade. Nem sabemos o que ela significa. Ailton Krenak fala sobre a falsa ideia de humanidade que temos no seu livro mais recente “A vida não é útil”. Gosto especialmente da seguinte passagem: “Esse pacote chamado de humanidade vai sendo deslocado de maneira absoluta desse organismo que é a Terra, vivendo numa abstração civilizatória que suprime a diversidade, nega a pluralidade das formas de vida, de existência e de hábitos”.

Esquecemos e falhamos uns com os outros, com o planeta, e ainda temos um longo caminho para reparar o distanciamento e a indiferença que vivemos muito antes da pandemia. Então, por onde começar? Precisamos migrar do trabalho para o serviço. Lembrar que estamos aqui para agir de forma colaborativa. Precisamos virar a chave, descontruir o ego, assim nos sentiremos menos perdidos porque teremos vencido a ilusão da separação ao lembrar que somos um – sem clichês –, e que temos muito o que fazer.

Na minha visão de futuro, vejo todos conectados através de seus talentos e habilidades para fazer essa grande nave Terra reagir e prosperar. Volto a citar o pensador, ativista ambiental e líder indígena Krenak: “Cada um de nós – não a economia, não o sistema todo, pode atuar positivamente nesse caos e trabalhar, digamos assim, por uma auto-harmonização”. A harmonização de uma humanidade em processo de desencanto.

+ BELEZA ROUBADA

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