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ciclo feminino
ciclo feminino
Foto Victor Affaro

Não me canso de ler o livro Lua Vermelha da Miranda Gray. Estou pela segunda vez com ele colado em mim, porque quanto mais o tempo passa, quanto mais ciclos eu deixar acontecer naturalmente no meu corpo, mais intensa e clara fica cada uma das fases do mês e suas diferentes energias. Por isso, a relevância da publicação que já citei aqui no CENA CRUA algumas vezes como neste post: Lua, livro, calcinha e sangue. Parece que ele nos ajuda a fazer as pazes com alguns períodos mais difíceis em que os ajustes com o mundo ao redor parecem exigir mais.

Olhando com carinho e respeito para a nossa ciclicidade, não só a disposição para a vida, o olhar para o mundo, foco e interesse, humor e sensibilidade mudam com isso. São tantas as transformações, e tão sutis, que à medida que nos dedicamos a compreender essa natureza feminina, tudo em volta muda, conseguimos nos adaptar e planejar uma vida mais fluida.

Acatar a fase mais lenta e introspectiva, se aprofundar nela, escolher atividades que potencializam suas energias intuitivas. Saber dosar a ansiedade quando temos menos força física e estamos menos produtivas. Aproveitar a maré de vitalidade, criatividade e desejo pela vida para colocar em dia planos, projetos ou para fazer o mesmo de sempre com um brilho diferente. Assim, parece que nos cobramos menos e curtimos mais a aventura do feminino, que passa a ser muito menos caótica e mais otimizada.

Quando criamos a consciência sobre nosso ciclo menstrual, nos conectamos com o nosso íntimo e deixamos o que era subjetividade ganhar corpo, aflorar em expressividades únicas, sejam elas quais forem, um trabalho ou um gesto que manifesta no mundo a nossa singularidade. E isso é uma lição para a vida toda, desde as primeiras lunações até o fim. Numa live que está salva no IGTV do @cenacrua com Roberta Thorlay (@rthorlay) fisioterapeuta, doula e professora de yoga especializada em ciclos do feminino, ela me disse que durante a menopausa e depois as mulheres continuam sendo influenciadas pelos quatro estágios do mês, que, segundo Miranda Gray, podem ser relacionados também com as fases da lua e caracterizadas assim: menstruação/fase da bruxa anciã, pré-ovulação/donzela, ovulação/ mãe e pré-menstruação/feiticeira.

Aqui estão algumas qualidades que cada fase energética do ciclo feminino traz como grandes oportunidades de conexão e aprendizado com a nossa natureza. Acrescentei alguns adjetivos na lista da autora Miranda a partir das minhas sensações e observações sobre o meu próprio ciclo e os padrões comportamentais/ emocionais que sinto ao longo do mês.

ciclo menstrual

Com minhas dificuldades no dia a dia de administrar toda essa ciclicidade e o mundo ao redor vim tentando o equilíbrio aumentando a minha consciência sobre a questão. Me dei conta de que autoconhecimento é no fundo uma estratégia de sobrevivência ancestral muito inteligente que hoje, mais do que nunca, percebemos com tanta importância e urgência.

E você? Quem é você hoje? Este post te ajudou a compreender melhor aspectos do seu feminino? Espero que sim! Beijos da donzela aqui!

+ MANDALA LUNAR

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clarice lispector existencialismo

Perto do centenário de Clarice Lispector, ando relendo trechos de seus romances e contos e revivendo muito do que aprendi com ela em outras publicações. Achei na minha biblioteca 3 livros que ajudam a mergulhar ainda mais na figura e na obra da autora que foi mestra em criar vidas contemplativas e narrativas existencialistas, temas que amamos por aqui! Aqui vai!

CLARICE LISPECTOR

Todos edições vintage compradas em sebos pela Internet e no Rio de Janeiro, onde morava na época em que me apaixonei pela autora. No próximo dia 10 de dezembro, começam as comemorações do centenário do seu nascimento e é claro como toda musa, ela parece estar mais perto agora do que nunca de quem ela sempre influenciou. Percebe isso?

clarice lispector

De Corpo Inteiro, editora Artenova, 1975. Uma coletânea de entrevistas que Clarice fez com diversas personalidades da cultura brasileia para a Revista Manchete. A autora que é uma das minhas preferidas trabalhou com jornalismo em muitos outros veículos e escreveu sobre assuntos variados, sempre com o seu olhar poético e atento aos detalhes, como se em cada instante, pausa, vírgula, tocasse num segredo precioso ou mesmo encontrasse a essência do seu objeto de atenção. Particularmente, amo a conversa com Clóvis Bornay, figura emblemática do Carnaval carioca que até hoje vive no meu imaginário.

clarice lispector

Clarice Lispector, de 1969, editor Organização Simões. O crítico literário Assis Brasil destrincha a obra da autora e destaca qualidades revolucionárias na sua linguagem como a habilidade de imprimir imagem poética em passagens extremamente emocionais e personagens construídos a partir de descrições que revelavam condições humanas e valores, apresentando assim uma dimensão mais profunda de cada um deles. Assis valoriza outros traços da obra de Clarice como o existencialismo e o sentimento místico e ainda prova como a autora atuava num mundo de percepção extra-sensorial, num registro de extrema sensibilidade.

Clarice em Cena, as relações entre Clarice Lispector e o Teatro, de André Luís Gomes, de 2007, editora UnB (Fundação Universidade de Brasília). O autor, mestre em Literatura Brasileira e diretor de Teatro, passeia por todas as principais produções cênicas que evocaram o universo da Clarice, entrevista atrizes que interpretaram a autora e suas principais personagens e fala das técnicas por trás das adaptações dos textos ficcionais de Clarice para o palco. Poucos sabem, mas a autora era apaixonada pelos espetáculos teatrais e chegou a escrever uma tragédia com o título A Pecadora Queimada e Os Anjos Harmoniosos.

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