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ENTRE LUZES E SOMBRAS
DO OUTONO

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Escrevi noites atrás que as plantas já estavam no Outono e que elas sussurravam que era chegado o momento de mergulhar pra dentro. E uma amiga me perguntou se era possível mergulhar ainda mais. Vamos afundar, ela me disse! Talvez a ideia seja justamente essa. Mergulhar nas águas escuras da nossa alma, revisitar dores, traumas, olhar com carinho e perdão para momentos difíceis e se curar. E então submergir e encarar o Sol, sentir aquele sopro de vida, respirar. 

Incrível como fomos nos afastando do sentido real da vida. Perdendo o significado das coisas, do tempo. Deixando de ler os sinais naturais.

Outono. Estação em que tanto o dia quanto a noite têm a mesma duração. Que nos dá o céu de fim de tarde com as cores mais lindas. Que o Sol ainda vem nos esquentar e que a noite pré-anuncia o frio que está por vir. Uma estação de transição.

Começo a pensar em mim a partir do Outono. No meu desejo de correr para o Sol quando as nuvens deixam, já que a casa começa a ficar escura e fria. Olho em silêncio para as minhas plantas e o verde delas parece ganhar outro tom, brilho. Muitas folhas já amareladas, ficam frágeis e se encosto, caem em direção à terra. Outras voam, se o vento passar naquele exato momento. Algumas me surpreendem com floração, como a Cerejeira cheia de gomos rosas ou a Macieira que, bravamente, depois do ataque de formigas, se anuncia em novas flores. A Oliveira está prateada! Olho pra ela e penso em Saramago. Vou recolhendo as folhas caídas para lavar, secar e guardar para o chá daqui algumas semanas. A lavanda também está repleta! Cortei uma haste, também da Malva, do Alecrim, duas flores de Primavera e algumas pétalas de rosas secas, colhidas  em algum momento do ano que findou e preparo uma água perfumada com elas. Fico imaginando o efeito dessa água dentro de mim. Percorrendo parte do meu corpo com o sabor, a cor e o perfume delas. Meu mundo interior deve sorrir diante de tanta beleza. 

Outono e Inverno pedem isso. Esse voltar pra casa. Esse aquecer-se. São as estações em que Perséfone abandona a sua mãe, Deméter, para ficar com seu companheiro Hades, no mundo inferior. Deméter, triste pela ausência de sua filha deixa de cuidar da terra, ela a grande Mãe, tornando-a infértil. Mas é justamente nesse momento que preparamos o solo, cuidamos dele, adubamos, depois jogamos as sementes e esperamos a próxima colheita. 

Cuidemos com carinho e atenção das duas casas que nos abrigam. Se houver algum receio, olhe com atenção para as plantas. Elas vão sussurrar no seu ouvido e o coração saberá o que fazer. 

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