Colunistas/ Juliana Schalch

CARTAS PARA O AGORA

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Sempre senti uma grande curiosidade sobre o futuro. Sempre quis saber até onde vai nosso livre-arbítrio ou se temos um destino predeterminado. Talvez por conta da minha Lua em gêmeos, que sempre me deixou muito confusa para fazer escolhas, eu sempre quis saber o que pode vir a acontecer. Não sei se isso é uma necessidade de controle, ou medo, ou ansiedade… bem… não sou só eu que sinto isso, sou?

Foto: Day Cocoon

A humanidade sempre se ocupou dessas perguntas. Desde os tempos mais remotos. E por conta dessa “ansiedade”, desenvolveu saberes e ferramentas que ajudam a prever ou orientar – palavra que eu gosto mais. Astrologia, borra de café, búzios, I-ching, runas, jogos de sorte, tarô, quiromancia (leitura de mão) são alguns exemplos. E esses oráculos são grandes instrumentos de saber, não só sobre o destino, mas sobre quem somos nós.

Sou estudiosa do tarô há mais de 15 anos. É um estudo profundo pelo qual sou apaixonada. Para além de determinismos do destino, eu entendo que essa é uma ferramenta de análise, quase um divã anterior ao de Freud, ou à psicanálise de Jung (admirador das cartas e de seu rico sistema de símbolos), onde a pessoa se dá um momento para refletir como ela está agora, o que está colhendo e o que está plantando. 

Conta a lenda que a origem do tarô remonta a uma civilização muito avançada que tinha grandes poderes psíquicos, Atlântida. Com seus conhecimentos, os sábios previram que seu continente iria afundar. Para que não se perdessem seus conhecimentos sobre a alma humana, eles viajaram até o Egito e lá sacerdotes deixaram registrados os seus saberes. Com isso, foram criadas lâminas que caminharam a largos passos até a Europa dando origem ao baralho tal como conhecemos hoje. Registros históricos contam sobre um jogo de tabuleiro chamado Lila, de origem indiana, que seria o caminho da vida e que ao jogar, ele poderia dar pistas sobre o futuro. 

A verdadeira origem dos jogos de cartomancia ninguém sabe exatamente. É um conhecimento milenar, mas uma das informações mais precisas que temos é que o povo cigano é grande guardião dessa sabedoria através dos tempos e o responsável também por disseminar esse saber. Esse povo desgarrado, sem raízes, migra por milhares de anos do noroeste da Antiga Índia, vai encontrando outros povos, se misturando a novas culturas, agregando novos saberes, passa pela Turquia. Uns sobem pelo Leste Europeu, outros seguem pelo Egito e norte da África e vão caminhando assim, peregrinando. Diz-se que chegaram ao Brasil pouco depois da vinda dos europeus ao continente americano e há estudos que sugerem que o pandeiro do samba pode ser sua herança. 

Minha história com a cartomancia ganhou outra dimensão quando finalmente me dei conta da conexão cigana que me guia. Desde minha escolha por seguir a arte como profissão até essa curiosidade pelos mistérios. Hoje, com toda essa transformação que estamos vivendo, sinto cada vez mais a necessidade de compartilhar o que estudei até aqui. Na verdade, penso que esse legado milenar está pedindo para ganhar ouvidos, para se espalhar por aí. A busca pela astrologia, por terapias, pela compreensão dos mistérios e autonomia diante do mundo, por autoconhecimento, vem cada vez ganhando mais força e lugar como forma possível para seguir com consciência diante de tantas incertezas. Cada um tem sua busca pessoal.

Parte da minha busca desabrochou. Vou dar um curso! Sim, uma novidade que tomou forma e corpo sem o signo da pressa, veio na hora certa. Contei para uma ou outra amiga e a pedido da Lila (editora do CENA CRUA), vim falar sobre isso aqui também. O curso aborda o baralho cigano sob uma perspectiva comparativa às cartas dos arcanos menores do tarô tradicional. 

Dá um fio na barriga, mas seja como atriz ou como os ciganos, abrir novos caminhos traz emoções intensas como um alimento necessário. Este texto, portanto, é também um convite! Além das aulas, abro as cartas, se a curiosidade pulsar….

É isso, a gente agora quer saber sobre a vida, mas olhar pra dentro é e sempre foi fundamental. Há milênios!

+ ENTRE A SOLIDÃO E A SOLITUDE

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