Para pensar junto

AUTOAMOR DE CARNAVAL

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Foto: Seyedeh Hamideh Kazemi, no Unsplash

No Carnaval, é impressão minha ou a gente se curte mais? Acho que tudo fica tão mais colorido e interessante que vale a pena registrar ostentando toda essa beleza. A gente que gosta do rolê não economiza na exposição da própria imagem. Perdemos a insegurança e rasgamos aquela capa empoeirada do ano todo encobrindo a nossa espontaneidade.

Será que é o brilho na pele, a máscara ou a fantasia disfarçando partes nossas das quais não gostamos tanto assim? Será uma licença poética? Um feriado longe de toda aquela perseguição e crítica de sempre?

No Carnaval, nos damos o direito de fazer tudo aquilo que é gostoso, mas considerado inapropriado pelas regras dos dias normais. Somos hedonistas radicais e exageramos em todo ato que cabe dentro desses momentos de festa sem culpa. Celebramos a vida, rimos até doer a bochecha e caprichamos nas séries de kundalini rebolando até o chão.

Até aqui, nada de errado, mas parece que colocamos tudo isso que é lindo no mesmo bolão das coisas proibidas. Como se fosse errado ser feliz, transbordar. Errado também enaltecer a nossa beleza, nossa autenticidade, o tom único da nossa gargalhada e até o nosso lado patético.

A velha história do amor de Carnaval também acontece com a gente vivendo uma espécie de autoamor apaixonado que só vai até a Quarta-Feira de Cinzas. E isso é assunto para pensar junto.

No Carnaval, a gente deixa de se levar tão a sério e fica mais confortável sem tantas cobranças. A liberdade traz isso de bom junto com uma sensação transformadora de autoamor. A gente se ama como nunca e quer se agradar a todo custo. Então, a provocação aqui é: por que não levar essa paixão para o ano inteiro?

Não há nada de errado em se admirar e se enaltecer. Isso não é narcisismo vazio, é transcender as barreiras da autocrítica para ver tudo o que temos de único, de bom e de bonito. Adorar essas qualidades nada mais é do que mantrar para que elas brilhem mais e mais e que sejam inspiradoras no dia a dia também para ouras pessoas. É ver que temos nossos potenciais e que eles podem servir para o mundo.

No Carnaval, o brilho de dentro encontra sem esforço com o brilho de fora e é essa a lição que deve ficar: a radiância! Lembro da deusa xintoísta da beleza, a Deusa do Sol Amaterasu Omikami, uma das figuras mitológicas mais cultuadas no Japão. Em resumo, Amaterasu tinha um jardim lindo que ela amava cuidar, mas que foi destruído por seu irmão numa brincadeira boba. Ela ficou profundamente triste e decepcionada. Foi para uma caverna viver isolada do mundo e o mundo logo sentiu sua falta. Outras entidades se reuniram com música e dança para atrair a curiosidade da Deusa. Um enorme espelho foi posicionado estrategicamente na saída da caverna e quando ela decidiu sair, a primeira coisa que viu foi a sua própria imagem. Ela ficou encantada com sua beleza e luz e voltou a se feliz. Com isso, o Sol voltou para o Japão, a vida, o calor, a alegria e a prosperidade.

História boa que ilustra a importância de darmos voz e lugar para o nosso brilho pessoal. Que isso não aconteça só no Carnaval!

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