Bem-estar/ Colunistas/ Patricia Helu

A VIDA DIÁRIA: UMA OCASIÃO ESPECIAL

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Se tem um livro que mexeu comigo nos últimos tempos foi o A Ciranda das Mulheres Sábias. Ganhei da Clau, uma “fadinha das pedras” (da @agata.pedras) e me identifiquei demais com ele.

Logo na capa tem uma frase que fala muito de como me sinto: “Ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem”. Quem me conhece bem percebe que por trás dessa jovem aqui existe uma alma antiga.

E viva as conexões! Um dia desses, a Lila, grande amiga e editora do CENA CRUA, me mandou uma mensagem dizendo que estava lendo um livro e lembrando muito de mim. E cá estou eu escrevendo justamente sobre ele, A Ciranda das Mulheres Sábias, da Clarissa Pinkolas Estés.

Essa sou eu. Jovem, porém totalmente encantada com a sabedoria ancestral da terra e das mulheres que me cercam. Dizem que tenho a alma velha. Será?

Em pouco mais de 100 páginas, que me fisgaram do começo ao fim, a autora, famosa pelo A Mulher que Corre com os Lobos, conseguiu me conquistar de corpo e alma. Eu sou daquelas que me distraio facilmente e me fazer ler um livro inteiro não é tarefa fácil. Esse é diferente, é daqueles para comprar de dezena e andar sempre com um na bolsa para presentear mulheres incríveis que passam por nossa vida.

O trecho que mais me marcou?

“Ser sábia e ao mesmo tempo estar sempre à procura de novos conhecimentos; ser cheia de espontaneidade e confiável; ser loucamente criativa e obstinada; ser ousada e precavida; abrigar o tradicional e ser verdadeiramente original; ser velha enquanto jovem e jovem enquanto velha.”

Viver plenamente, com intensidade e verdade, ser generosa, encontrar na alma a sabedoria de uma velha e no espírito a aventurança e o vigor de uma jovem e entender que somos seres essenciais são alguns dos pontos de maior riqueza do livro. São lições muito profundas e proveitosas, especialmente para esses tempos em que somos forçados a olhar ainda mais para dentro – um exercício tão importante para o bem-estar do coletivo, aliás.

A autora diz que somos como uma árvore que tem por baixo da terra suas raízes vitais “constantemente nutridas por águas invisíveis”. Todas temos em nós a nossa “mulher oculta” que pela vida vai nos impulsionando, guiando com sua luz, independente de como e onde estivermos. Ela também evoca as muitas figuras das avós, que em alguns mitos e contos de fadas representam o que protege a “luz do Amor” neste mundo. “Elas acreditam que uma pequena vela, aquela única velinha brilhante do amor no seu coração, pode manter o mundo conturbado iluminado de um modo que faça diferença”.

Todo esse instinto feminino em fazer o bem e guardar a harmonia de uma família ou de uma comunidade se materializa através de ofícios e de poesia. A sabedoria e o amor da “mulher oculta”, seja na jovem ou na velha, se expressa na forma como ela dança, como ela conta histórias, como ela cozinha e poem a mesa, por exemplo. No chá quentinho, na sopa bem servida, nos temperos que escolhemos para dar sabor e saúde à comida que compartilhamos com aqueles que amamos também.

Vejo quantas oportunidades por dia temos de proporcionar esse bem-estar para a alma. Em casa mesmo e com o que temos. Não precisamos de uma ocasião especial para ir para cozinha comprometidas em preparar o mais delicioso prato, ou aquele que vai ter esse poder sutil de alegrar, de acolher e de abraçar. Clarissa diz que uma ocasião especial “é qualquer ocasião à qual a alma esteja presente”e esse é o meu maior prazer em cozinhar e o prazer que eu procuro passar para todos, muito além das minhas receitas.

Cozinhar na verdade é uma ferramenta maravilhosa para colocarmos em prática nossos melhores sentimentos, que podem também transformar o humor das pessoas em volta. É preciso cultivar nossa criatividade e intuição a cada encontro com os ingredientes e as receitas que gostamos ou aquelas que surgem ao acaso. Assim, convidamos nossa alma para estar ali presente e mantemos uma, duas ou quantas velas for de amor e paz acesas, seja em casa ou onde estivermos.

Uma mesa colorida com frutas e comidas saudáveis para alegrar os dias em casa pode servir refeições para toda hora do dia, lanche com cara de almoço, janta com cara de café da manhã e por aí vai

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