Colunistas/ Rosa Paula Paiva

ABRAÇANDO A IMPERFEIÇÃO; UM ENCONTRO COM A NOSSA AUTENTICIDADE

por
Rosa Paula Paiva

Passamos um longo tempo buscando nosso lugar, um espaço no mundo que nos represente em essência e ao mesmo tempo nos transmita a sensação de pertencimento.

Por um tempo acreditei que havia de fato um lugar a chegar, a situação em que teria pleno domínio das coisas, um destino povoado pela ordem e pelo saber fazer. Um lugar onde eu estaria alinhada com tudo que deveria ser.

Essa busca me fez atropelar muitas minúcias, pequenas desimportâncias que, no fundo, me falavam de mim. O paradoxo é permitir que a procura nos afaste das coisas que nos traduzem, numa ânsia pelo acerto, pelo prêmio, pelo pódio, que preenchem bem os espaços do mundo, mas muitas vezes deixam vazios em nós.

Levei um tempo — o tempo que todo mundo leva — para entender que não há lugar a chegar. Onde quer que se esteja, esse espaço nos pertence. No meu caso particular, me sinto em casa no fazer das coisas cotidianas, colhendo versos das conversas entre as barracas da feira ou nas páginas dos mestres da literatura. O banal é o meu lugar, sem glória ou títulos. E não é que não possa haver conquistas, vitórias, troféus. É que nosso lugar, independe disso, sempre esteve ali à espera de ser ocupado com inteireza, sem o peso das expectativas ou dos papéis a serem desempenhados.

Em meio a tantas situações difíceis que têm nos rodeado ultimamente, gosto que a pandemia nos tenha tirado as desculpas, nos tenha encolhido os espaços, nos tenha alargado os dias, porque assim nos coube enxergar um outro possível. As lacunas que nos faltavam de repente se tornaram irrelevantes. Nossos medos se tornaram outros. O significativo da vida, do afeto e do êxito tomou outras dimensões. Talvez seja o melhor momento para fincarmos bandeira no que nos representa, acolhendo a incoerência, imperfeição e beleza de ser quem se é.

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