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Beleza Crua/ Retiros e experiências

O CORPO É A ALMA E VICE-VERSA

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Instrumento de autoconhecimento e autocura, o corpo é objeto de pesquisa teórica e prática no projeto Encontro em Movimento (@encontromovimento) idealizado pela terapeuta somática Juliana Diaz. Participei no final do ano passado de uma turma online e fiquei bastante curiosa sobre o universo que engloba noções do Body Mind Movement, do norte-americano Mark Taylor, e da Somaterapia, criada pelo terapeuta e autor brasileiro Roberto Freire. A jornada de bem-estar e consciência corporal resgatou vigor, inteligência e o prazer de encontrar o movimento em tempos de espaços limitados.

Conversei com Juliana, numa entrevista que pretende decodificar a experiência proposta por ela, complexa, profunda e muito interessante para quem busca, acima de tudo, qualidade de vida. Lembro que durante as aulas chorava, liberando uma série de desconfortos emocionais e físicos e, no final, tive a percepção de que naquele momento eu precisava dançar com a vida como se eu fosse a própria música, querendo ser mais melodia do que ritmo. Faz sentido pra você? Então, vem ver o que Juliana tem pra contar!

corpo alma
Photo by Klaudia Borowiec no Unsplash

LILA: Uma das bases do seu trabalho é o Body Mind Movement, qual a abordagem desse método afinal?

JULIANA: É um método de educação do movimento somático que promove transformações nos níveis físicos, psíquicos, emocionais e espirituais. Partindo da ampliação da consciência corporal investiga maneiras de se movimentar pela vida com mais saúde, eficiência e liberdade.

LILA: E o seu Encontro em Movimento? O que é e como funciona?

JULIANA: Eu ainda não chamo meu trabalho de método. Eu uso Body Mind Movement, Bionergética, Dança Livre. Acredito que cada um tem o seu diferencial, no sentido que cada facilitador terá humor, afinidades, tom de voz, propostas específicas. Quando falamos de bem-estar e movimento, muitas práticas podem ter um formato parecido, mas eu busco integrar o que se percebe no agora sobre si mesmo em uma expressão de movimento que organize, traga clareza emocional, autoconhecimento e principalmente aproximação a si próprio. Sempre com gentileza em nossa experiência no momento, cuidado, pra que cada participante seja curador de si.

LILA: Como você criou o projeto, juntando suas experiências no Teatro e na Psicologia?

JULIANA: Eu me curei assim. O meu trabalho nasceu da trajetória que percorri enquanto buscadora de mim mesma. Estavam enraizadas em mim um insegurança e uma sensação de não pertencimento. Minha voz falhava, meu estômago gritava, meus pensamentos me tiravam do chão. A Psicologia traz uma possibilidade de se organizar e acolher seus processos internos, o Teatro traz estudos de presença e no meu caso acendeu uma vitalidade adormecida e entorpecida. Quando uno no Encontro em Movimento autoconhecimento e educação somática estou propondo um pouco desse percurso, deixar a escuta interna afinar e criar fluxos que contem a trajetória pessoal, fazendo uso de tecidos do corpo sensíveis que traçam desenhos mais íntimos e não apenas o movimento mecânico (músculo-esquelético). O objetivo é que cada célula vibre, encontre presença, e que o participante possa estar sendo honesto consigo mesmo em todos seus processos e ainda receber o ambiente de maneira a agir no mundo com conforto e verdade.

LILA: Gostamos muito de falar sem saúde integrativa, mas a palavra e os conceitos por trás de “soma” ou “corpo somático” também trazem a dimensão das nossas camadas interligadas, mente e corpo. Fale mais sobre isso?

JULIANA: Soma quer dizer corpo vivo. Um corpo que com todas as suas esferas percebe, absorve, interpreta e responde ao mundo. Quando ampliamos nossa maneira de perceber ativando nossos tecidos mais sensíveis, podemos transformar nossa resposta de movimento e como agimos e criamos no mundo.

LILA: Como o seu projeto pode ajudar as pessoas a terem mais qualidade de vida?

JULIANA: Quando eu proponho, por exemplo, um trabalho de alinhamento dos pés e da bacia, o participante vai acessar a história do seu corpo e compreender se tem feito escolhas de movimento mais aptas a estabilidade ou mobilidade. Pensando movimento como a resposta criativa que o corpo dá ao mundo a partir do que recebe dele e experimenta no íntimo, o Encontro em Movimento usa essa relação para que a expressão de si seja a mais sintonizada com a real sensação interna possível. Isso vai influenciar na percepção de si e aos poucos o participante vai encontrando maneiras de se movimentar com facilidade por diferentes situações porque está ancorado em suas estruturas, com segurança e atenção acurada. Outro exemplo, é quando eu tomo conhecimento de um padrão em meu corpo e coloco esse padrão em movimento eu influencio e convido os tecidos que se comunicam com ele. E todos os tecidos do corpo se comunicam. Eu tinha um padrão de “colar o ombro na orelha”. Ao ir sutilmente trazendo consciência para qual lugar meu ombro encontra mais conforto e eficiência de movimento, eu abri espaço na minha garganta, aproximei o meu externo da minha coluna e ampliei espaço pra os meus rins.

LILA: Fale da importância de ressignificação dos nossos movimentos e capacidades corporais num momento como este de isolamento e limitações.

JULIANA: O isolamento trouxe um limite claro e físico. Para muitos uma sensação de solidão, para outros uma perda de espaços pessoais.
Nesse contexto o Encontro em Movimento traz uma oportunidade de se fortalecer em sua membrana, um convite a reconhecer contornos na esfera pessoal, que tragam uma definição às relações, possibilitando uma convivência de respeito à própria integridade e a do outro.

LILA: Vamos falar sobre toque celular, o é e o que ele promove?

JULIANA: O toque celular é o mais puro estado de presença. Onde nada é preciso fazer, apenas ser. Ao colocar as mãos em alguma região do corpo se abrindo para a escuta íntima podemos provocar a consciência da respiração celular naquele determinado tecido que escolhemos tocar. Quando afinamos essa sutileza da expansão e contração da respiração celular, podemos perceber qual movimento nosso corpo pede. O toque celular é uma ferramenta incrível para se decidir qual tecido (órgão, osso, músculo, nervo, glandular) será trabalhado em sequência. Se você não tiver alguém lhe tocando, você pode simplesmente ficar com o movimento da sua respiração, imaginando que as várias trilhões de células presentes no seu corpo estão fazendo a mesma coisa. É uma ferramenta de atenção plena.

LILA: Fiquei impressionada quando na última aula você pediu para colocarmos intenção para a fluidez do nosso líquido sinovial. Esquecemos essas camadas e circuitos mais profundos do corpo. Parece que não temos conhecimento sobre a nossa natureza, como funcionamos e por isso desenvolvemos poucas ferramentas de autocuidado com autonomia. Como a consciência corporal pode nos ajudar a ter uma vida mais potente?

JULIANA: Potente é uma palavra que eu amo. Porque potência é única. A potência da Lila não é igual a da Beka (outra aluna da mesma turma) que não é igual a da Ju e que por isso mesmo é tão importante que investiguemos a nossa própria! Imagine um mundo onde todos vibrem o que tem de mais especial e potente? Estaríamos em uma sociedade de respeito absoluto, de criações inimagináveis, de saúde em todas as esferas. Acho a sua percepção da fluidez muito sensível, porque justamente traz essa sensação de uma comunicação entre partes distantes do meu corpo sem esforço. E água é vitalidade, é contorno, é membrana ao mesmo tempo que é fluxo. Poder reacender essas qualidades em nosso corpo é uma forma de criar novas respostas se movimentando com mais saúde. A saúde brota com a consciência porque esta acende a sabedoria autorreguladora inata do corpo.

Para quem quiser conhecer mais sobre o trabalho da Juliana, indico uma visita ao seu site, clicando AQUI!

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