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VIDA SLOW E PRODUTIVIDADE

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A gente quer viver em modo slow, mas para isso é fundamental administrar tempo e cuidar da mente. Foco é economia de energia! E uma chance a mais de respeitarmos nossos ritmos naturais ao mesmo tempo em que somos produtivos para o mundo. Além dele: prioridade e organização são preciosidades que a gente aprende a amar com o tempo e os bons resultados.

Foto: Still Classics, no Unsplash

Ter propósito na vida é um dos assuntos mais em pauta atualmente. Todo mundo quer viver em consonância com seus sonhos e verdades. Todo mundo quer usar a hashtag i love my job, mas isso é uma construção e que só pode vir acompanhada por uma calma na hora de escolher estrategicamente o que deve ser feito ou qual caminho seguir. Isso porque, mesmo pegando leve e tendo um estilo de vida mais slow, não temos todo o tempo do mundo. É preciso foco!

Dessa palavrinha, eu sinceramente fugi a vida inteira! Achava muito chato falar ou pensar sobre isso. Muitas vezes, meu pai, que é um grande exemplo de profissional bem-sucedido pra mim e que sempre trabalhou e ainda trabalha apaixonado, me chamou para refletir sobre a importância de focar tempo, esforço, pensamento e energia naquilo que almejava.

Para uma pessoa beirando o DDA, dispersa por natureza e ligada às artes, o foco parece um antagonista, um monstro que vai decapitar toda a inteligência e a beleza do que brota pelo acaso ou pela espontaneidade. Era medo mesmo o que me separava da ideia do foco.

Hoje, eu não tenho escolha. Tenho uma filha de 1 ano e 3 meses que ainda não vai para a creche (quero ela pertinho!). Tenho ajuda, mas sou mãe intensa. Gosto de passar horas com ela durante o dia (e madrugada, pois é), de acompanhar esses primeiros anos de perto, de dar atenção e de trocar, aprender com ela, ensinar algumas coisas. Mas também sou cheia de vontades de me desenvolver profissionalmente e de prosperar. Isso me pede um tempo que é curto e muito valioso.

Divagar ou mergulhar em estado de ócio criativo estão em segundo plano na minha agenda agora. Esses momentos existem sim, são importantes, mas temos prioridade – outra palavra que ganha lugar de destaque quando você quer viver com o essencial se dedicando mais ao que interessa mais – e é basicamente assim que passei a viver depois da maternidade: na base da prioridade.

Com foco em respeitar as prioridades (eita, juntei as duas palavras na mesma frase!), fica mais fácil saber o que faz mais sentido. No final do dia me sinto leve e satisfeita quando fui produtiva, fiz o que devia e, principalmente, como gostaria, sem traumas e estresse. Não estou dizendo que nesses dias eu só faço os trabalhos legais ou que só realizo os meus projetos autorais que amo, como o CENA CRUA. Nem, com isso, quero dizer que fiquei de boa ou só curtinho a minha filha. Minha satisfação, meu peito leve e ainda cheio de energia no final do dia, vem da noção de que passei horas me dedicando com toda a atenção que podia para o que me propus a fazer. E isso me dá positividade, inclusive para encarar uma tarefa mais chatinha, seja ela relacionada ao trabalho ou não.

Sinto que, com a prática, cortando muitos abacaxis, encontrei finalmente uma forma gentil de me alinhar com a ideia do foco. Acessei naturalmente a lógica do AQUI e AGORA, que é algo que a filosofia Zen acredita como a melhor e mais saudável abordagem para viver e experimentar essa vida.

A partir daí, é tudo lucro! E tudo permitido, até mesmo quando saio do foco, porque já sei voltar, de novo, e de novo. Esse ciclo ainda garante a criatividade circulando, a mente livre e a sensação de que não somos reféns de maus hábitos.

Produzir bem, às vezes, não tem a ver com quantidade de tarefas concluídas, mas quando a gente tem entrega de job (no meu caso é assim que acontece, sou redatora freelancer e trabalho com prazos), precisamos otimizar, estratejar para entregar o melhor e não perder o timing. Então, entra em ação uma outra palavra que me causava horror até pouco tempo: organização. Organização, quando realmente precisamos, é fácil. Confia!

Para aqueles, como eu, que precisam se esforçar demais para encarar uma organização, basta uma leve pincelada no dia anterior do que seria ideal ser realizado no dia seguinte. Porque a gente que é assim costuma trabalhar dia a dia as nossas habilidades de burlar as maluquices da cabeça. Então, não adianta antever cedo demais as tarefas e as listas, e muitas vezes nem lista é necessário (lista é palavrinha que arrepia, mas ajuda também). É no flow do dia a dia, como se a cada onda gigante a gente desse aquela inspirada profunda para mergulhar sem se afundar. Tem que lembrar de respirar e encontrar lá dentro do peito a maior motivação para vencer cada dia.

Ter um ritual ou se preparar para começar um dia produtivo ajuda e muito, mas também não precisa ser uma obrigatoriedade. Sobre rituais na vida e no trabalho, aliás, tem um post recente aqui no CENA CRUA e muito interessante escrito por nossa colunista, curadora de processos de inovação e de liderança criativa, Valentine Giraud (leia aqui!). Também recomendo outro texto que eu escrevi sobre rotinas (ai!!!) matinais (leia aqui!). No final das contas, o mais interessante, para quem pode trabalhar no ritmo e nos horários que quiser, é começar quando estiver com aquela vontade de botar a mão na massa. Tudo flui melhor assim. Com ou sem ritual ou rotina, mas sempre com o bom humor em dia, porque sem isso nada feito, ainda mais se o seu trabalho for criativo.

Tem gente que começa o dia realizando a tarefa mais chata e outros que fazem diferente. Isso é apenas um detalhe, como comer primeiro o que há de mais gostoso no prato, ou deixar o melhor pro final, como uma sobremesa ou prêmio de superação. Seja como for que você funcione, não precisa mudar! Vá fundo nisso, mas quando sentir que a coisa ficou chata demais, pare para tomar um café ou volte para a tarefa legal. Arrume, antes de organizar tudo em volta, o seu jeito particular de produzir. Veja como se sente e procure terminar o seu dia com aquela sensação de missão cumprida sem estar exausto e mau humorado.

No final do dia se você estiver assim, exausto e mau humorado, você vai precisar rever seus processos e com isso vai avaliar também o que está valendo a pena ou não, se está no lugar certo, realizando aquilo que ama ou não. Vai sabendo dizer sim ou não e vai aprendendo a ser mais focado.

Bom, acho que, resumidamente, fiz as pazes com aquelas 3 palavrinhas mágicas e encontrei esse caminho pra mim. Espero continuar nele. Espero!

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