Beleza Crua/ Bem-estar

VERDE É A COR MAIS QUENTE!

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COMO TUDO COMEÇOU

Quando começou essa onda maravilhosa de marcas de cosméticos que apostam em produtos com mais ativos naturais e menos ingredientes tóxicos, eu logo me rendi! Fiquei entusiasmada com as promessas de praticar um cuidado mais justo comigo e com o planeta. O match perfeito!

Geralmente, é genuíno dessas marcas também a responsabilidade com o meio ambiente e com os animais. Muitas são veganas ou fazem de tudo para ser. Outras priorizam os orgânicos e algumas conseguem tudo de uma vez, inclusive batalham por embalagens biodegradáveis! Bom, foi com muita empolgação que de pronto comprei um monte desses produtos e conheci projetos bem legais. Jurei que a partir dali nunca mais usaria nada químico e que trocaria todos os meus cosméticos e maquiagens por essas novidades fresquinhas. Meu mundo seria todo e somente verde!

Passados quase 5 anos desde que me deparei com esse cenário pela primeira vez, posso confessar que não é bem assim, e que ainda precisamos conciliar o uso de produtos “naturebas” com outros, digamos “mais processados”. E também podemos conviver lindamente com fórmulas mistas e equilibradas (nem lá, nem cá). O bom disso é que a gente descobre o caminho da moderação e abre o olhar, inclusive não descartando marcas que teriam saído de vez das nossas bancadas e necessaires.

O MERCADO ESTÁ MAIS VERDE

Voltando no tempo, lembro, a inglesa Lush (que no ano passado fechou suas lojas no Brasil) me apresentou outras formas de consumir o que eu estava passando na pele e nos cabelos. Gostava de ir na loja da Consolação e ler sobre cada composição, de ver na embalagem a carinha de quem havia preparado as fórmulas (que eram muitas vezes, basicamente, como receitas) e, até mesmo, gostava de perceber que a data de validade de alguns produtos era bem limitada, justamente por se tratar de algo realmente fresco (como algumas de suas máscaras faciais e hidratantes a base de frutas). Além do mais, tudo era cruelty-free!

Com a Lush (sim, fiquei arrasada quando eles saíram do país), conheci também os xampus sólidos (uma maravilha para os meus cabelos oleosos e uma meditação a mais no banho, já que a espuma era feita como se esfregássemos uma lâmpada mágica). Esse tipo de xampu low poo (com pouca espuma) tem em sua composição menos sulfato, o que evita o desgaste e o ressecamento dos fios de cabelo e ainda promove um banho mais econômico, pois precisa de menos enxágue (embora esse processo seja mais slow).

As descobertas eram animadoras e tudo apontava, enfim, para um momento especial em que ficar linda e se cuidar seriam também rituais mais sustentáveis e interessantes. Tudo agora fez mais (ou menos) sentido. Faz sentido, pelo menos pra mim, saber sobre origem de ingredientes e modos de produção.

Numa viagem rápida a NY em 2015, naquela mesma época, entendi que os óleos essenciais estavam em alta e a saboaria artesanal tinha ganhado um novo status, o do luxo. Em cada esquina, uma lojinha super cool e mil possibilidades de ter na rotina os mais variados e potentes aromas e benefícios da natureza. Tive a noção da diversidade que vinha pela frente e sabia que tudo então seria diferente. Não temos como voltar casinhas, pensei. E a indústria não seria mais invencível, que bom!

Logo depois, assim que o CENA CRUA foi pro ar, vi que era real a possibilidade de substituir sim uma série de itens de beleza e de higiene por opções mais saudáveis, feitas por aqui. Descobri uma sensação leve de compensação no simples fato de trocar toda aquela velha eficiência já comprovada dos produtos convencionais pelas novidades que ainda estavam sendo concebidas, até mesmo com a ajuda da tecnologia.

UM COSMÉTICO QUE TRATA

Tá certo que algumas marcas seguem a linha artesanal, mas de um jeito ou de outro, muitos esforços foram concentrados em descobrir como potencializar a matéria-prima natural sem o uso de químicos, ou com menos químico possível nos laboratórios de todo mundo. E isso com certeza impacta no tipo de cosmético que temos a chance de consumir: um cosmético que trata, e não trabalha só como uma maquiagem ou um mero paliativo. Tudo parece ser bom, realmente.

Mas bom mesmo é saber que esse movimento globalizado é capaz de contagiar todo o mercado. Marcas de diferentes portes apostam na energia do verde para criar nossos aliados do dia a dia. É possível encontrar cada vez mais fácil e abundante produtos assim (até mesmo naquelas paradas de estrada, juro que vi pastas de dente da Natural no Frango Assado!). Isso democratiza, apesar dos preços ainda mais altos.

Para quem acredita que um dia tudo pode ser mais justo e verde (e no poder desse “verde”), a saída é, aos poucos, migrar o olhar e os investimentos para quem coloca na roda o que há de melhor. Entendo que nossa postura e nossas escolhas estão surtindo efeitos positivos para todos. Assim, fazemos o mundo girar de verdade, alimentando as chances dessas empresas terem sucesso em suas pesquisas e no desenvolvimento de produtos cada vez mais sofisticados e limpos. Isso, mais pra frente, influencia no preço final para nós consumidores, e tudo fica mais viável. É como se agora a gente fizesse o papel de um sócio investidor que incentiva a realização de um projeto promissor. Pensar assim é ter propósito, é consumir com alegria, eu sinto.

TODOS QUEREM UMA VIDA MAIS SAUDÁVEL

Para termos uma ideia dessa força coletiva transformadora, segundo o Estilos de Vida 2019, um estudo da Nielsen, a população do Brasil está mais saudável (57% reduziu o consumo de gordura e 56% diminuiu a ingestão de sal) e também está mais sustentável (42% está mudando seus hábitos de consumo para reduzir o impacto no meio ambiente). A pesquisa também mostra que 73% dos consumidores saudáveis gostariam de gastar mais com marcas que se preocupam com o meio ambiente, mas, 43% deles afirmam que ainda é difícil encontrar produtos sustentáveis nas lojas.

É importante se abrir para novas experiências, seja começando por uma marca já com algum respaldo, como a recém-lançada aqui no Brasil Love Beauty and Planet (da Unilever, grupo que ocupa o topo da cadeia alimentar no segmento higiene pessoal), ou apostando em pequenas e médias iniciativas (pode ter certeza que elas são inúmeras e estão por todo canto!). Olhe em volta, dê uma chance, experimente, pergunte, pesquise, encontre o que faz sentido pra sua cabeça, pra sua pele. Veja o que funciona ou não. Muitas vezes um produto natural e simples pode ter uma performance muito mais surpreendente.

ARTESANAL E INDÚSTRIA: TODOS NO MOVIMENTO

Algumas marcas excelentes ainda não trabalham com o certificado da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e são discretas, precisam ser descobertas pelo consumidor. Isso é um outro assunto complexo e que precisa ser revisto para que o mercado entre de fato num patamar mais competitivo e justo. Para começar, a Anvisa ainda não reconhece o trabalho do artesão que fabrica sabonetes e cosméticos naturais, classificando essas atividades como sendo de alto risco. Por incrível que pareça isso não define o meu jeito livre de consumir. Essas marcas artesanais (e que muitas vezes são as que usam mais insumos naturais e orgânicos) não podem se divulgar e por isso vendem menos e lucram pouco ainda. A saída que esse nicho encontrou para corrigir esse problema foi criar um Projeto de Lei que inclui essas atividades na Lei do Artesanato, protegendo esses produtores e desvinculando seus produtos da obrigatoriedade do selo Anvisa. O projeto já foi aprovado mas ainda não entrou em votação no Senado (complicado!).

Polêmica e confusões à parte, a lista de possibilidades de cosméticos mais naturais é infinita, e o meu maior prazer agora é ir em busca dessas maravilhas e comemorar cada novidade. Cada conquista e cada marquinha que consegue seu lugar ao sol. E também dar as boas-vindas para as grandes que abraçam de certa forma esse propósito.

Aliás, eu testei e adorei quase todos os produtos da Love Beauty and Planet, que produz xampus, condicionadores, sabonetes e desodorantes veganos feitos com cerca de 95% de ingredientes “verdes”. Além disso, a marca é comprometida com a segurança social e ambiental de várias regiões produtoras de suas matérias-primas e ainda selecionou ativos e aromas dos mais mágicos como a ylang ylang, lavanda, rosas e vetiver, trabalhados com óleos essenciais de coco, argan, murumuru e o milagroso (eu amo!) melaleuca. Está em quase todas as farmácias e mercados por onde tenho passado.

Fiquei feliz com isso e acho que tenho bons motivos para me sentir assim. Uma marca desse porte pode aproximar, tirar o véu de alguns preconceitos que ainda giram em torno desse movimento slow/natural. Pode, sobretudo, disseminar uma mensagem de cuidado com o planeta, o próprio nome da marca sugere. Mas sei que ainda temos casinhas para frente, que temos que pular um pouco mais e nos posicionar em busca de transparência, qualidade e responsabilidade. Essa é a onda: gerar oportunidades como consumidores para consumirmos o que quisermos e merecemos. E, no final, consumirmos o que acreditamos! Acreditamos?


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