Bem-estar/ Lifestyle

TENDÊNCIA DE 2019: ORGANIZAÇÃO

Primeira sessão de terapia do ano, retorno de viagem de Réveillon na Bahia, e, no caminho de volta para casa (ou daquela caminhada a esmo na rua dos Pinheiros para despressurizar tudo o que foi dito), me deparo com uma placa sugestiva: “Nosso planner feminista chegou!”. Opa, planejamento + feminismo? Duas das minhas palavras de ordem de 2019 juntas, num momento total de reflexão sobre o que fazer com o caos mental. Pronto, foi um sinal: comprei a agenda, uma parceria muito legal do Think Olga com a Insecta Shoes e um ponto de partida para pensar sobre algo clássico em todo início de ano, e que está especialmente em alta em 2019: a organização.

Planner

A necessidade de se planejar e de colocar a vida em ordem sempre esteve aí, mas parecia ocupar o segundo escalão de itens pessoalmente transformadores. Há gente, inclusive, que olha a organização com um certo desdém e ar de superioridade, como se arrumar as coisas fosse assunto menor, que só toma o tempo que a gente poderia usar com assuntos mais importantes (como devanear sobre temas diversos até que eles se transformem em neuroses e você tenha que gastar fortuna com análise para aprender a desatar o nó que você mesmo fez rs). Digo isso porque já fui uma dessas. Pretérito perfeito. Concordo que arrumar a cama diariamente e criar listas de afazeres não vai resolver todas as questões da sua vida, nem vai, magicamente, tornar você uma pessoa mais competente no trabalho. Não acredito que a gente possa avaliar o “todo” de alguém por uma característica particular – como uma casa arrumada -, mas já passei para o time que percebeu, empiricamente, como a ausência de ordem e de um método de organização pode, ao invés de poupar tempo, aumentar aquele caos mental com detalhes de relevância menor (“onde foi parar aquela receita de exames?”, “onde coloquei o comprovante de pagamento que preciso levar para o fulano?”), e que no fim das contas poluem seus pensamentos ao ponto de atrapalharem o curso mental de assuntos maiores. Bons métodos para organizar a vida no papel e na prática, então, são muito bem-vindos e têm surgido aos montes!

Planner Insecta Shoes e Think Olga

Se o seu problema está na bagunça doméstica, esqueça Martha Stewart. A atual musa da organização é japonesa e se chama Marie Kondo. Autora dos livros “A Mágica da Arrumação” e “Isso me traz Alegria” (editora Sextante), com milhões de cópias vendidas, a personal organizer acaba de estrear mundialmente (em janeiro) a Tidying Up with Marie Kondo (em português, “Ordem na Casa”),  série no Netflix em que aplica seu método KonMari em diferentes pessoas e tipos de bagunça. Marie propõe usar o critério de “felicidade” no lugar de “utilidade” para decidir o que deve ser mantido e jogado fora. Ela propõe abraçar cada peça e pensar se ela te traz alegria, conforto. Se sim, fica. Se não, agradeça pelo tempo em que o item lhe serviu e tchau. Outra prática de Marie é a de sempre agradecer a casa por acolher seus moradores antes de começar a organização. A arrumação é feita por categorias, não por cômodos, a partir da seguinte divisão: roupas (isso inclui sapatos, acessórios), papéis, livros, itens sentimentais e komomos. Em komomos entra muita coisa, tipo tudo o que não está no resto, como utensílios de cozinha, brinquedos, etc. Num texto recente, o NYT compara o método de Marie com o de Sócrates, que também primava pela organização, inspirado num discípulo seu, Xenophon, que depois também virou filósofo e pregava práticas parecidas com as da especialista. Tanto Xenophon quanto Marie, ele textualmente e, ela, por meio dos depoimentos dos personagens da série, passam a mensagem de que a vida organizada leva a uma vida mais feliz, o que o autor do NYT coloca em xeque, questionando se essa organização não é uma busca nada saudável pelo controle total de tudo, o que no fim só gera infelicidade, porque é impossível ter esse controle sobre as nossas vidas. Um ponto a ser considerado, mas só se a gente considerar a organização na sua faceta extrema, o que não é o caso (pelo menos pra mim).    

Marie Kondo

Se a mente ficar mais clara quando não há uma pilha de louças para lavar na cozinha, a parte da organização mental das tarefas do dia também ganha uma boa ajuda com o papel.  Esse conceito de planner da minha agenda feminista que ilustra esse post é muito interessante. Trata-se de um caderno com a indicação das semanas, mas sem ano, dia do mês ou da semana definidos, assim você pode começar quando quiser (tipo 7 de janeiro, no meu caso). A cada início de semana já há uma lista para que você preencha com os 5 itens mais importantes a serem realizados esta semana. Aí, tem uma lista com mais 5, que você só deve começar a realizar quando os cinco mais importantes estiverem ticados. Achei uma excelente estratégia pra gente não se enganar dizendo pra si mesmo que riscou várias tarefas da lista, sendo que as que realmente importavam (e que geralmente são as mais difíceis) ficaram lá.  Ainda na seara impressa, há também a técnica do bullet journal, uma agenda que você mesmo cria a partir de um caderno bonito, usando alguns ícones desenhados na frente de cada tarefa, para ajudar a categorizar cada uma (bolinha para compromissos, quadradinho para tarefas a serem executadas e tracinho para informações importantes). É um jeito de não confundir prioridades e naturezas de compromissos com um grande listão. No site do criador do método, o designer Ryder Carroll, tem mais detalhes. E também nesse post, que achei bem útil. (POR CAROLINA VASONE)

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