Beleza crua/ Moda

QUEM VOCÊ SERIA DE VERDADE SE OUSASSE SENTIR?

Acho que este blog cansou dos fatos, e vocês? A gente ama notícias, as matérias comportamentais e os personagens reais e maravilhosos que passam por aqui. Mas deu uma vontade de sonhar em voz alta… de subverter um pouco a lógica, de ver tudo por outro ângulo… 

 

 

Tranquei minha razão. Há três dias vivo assim.

 

Voltei dez passos em direção à última lembrança do molho de chaves que perdi apalpando os bolsos do pijama (sim, meus pijamas de flanela têm bolsos porque são trajes feitos para deitar a rigor).

 

Cheguei a resmungar a mania de perder as coisas, critiquei meu jeito de ser. Quis me mandar um email formal. 

 

 

Na verdade, estava encenando a vontade de achar a tal chave e agora, quando penso nela, acho que fiz bem em perdê-la.

 

No dia seguinte, o primeiro raio de sol forçou minhas pálpebras ainda receosas. Num pulo, sem medo nem despertador, levantei leve e precisa.

 

Achei tudo estranho. Mesmo assim comi selvagem ovo mexido, tomei suco de laranja e mordi um pedaço de gengibre puro ao final. 

 

 

Não escovei os dentes, nem o cabelo. Meu aspecto no entanto não era dos piores. Me achei digna.

 

A sorte maior daquela manhã: a casa só minha e nenhum cachorro para latir solidão.

 

 

Ao que me parecia (agora lembrando o momento passado), logo eu procurei a música como uma criança passa a conhecer o som. Deixei meu corpo reconsiderar todas as noções de ritmo, harmonia e espaço. Minhas proporções e força.

 

Era como o primeiro dia de um pássaro. 

 

Também tentei voar. Foi estranho, não tinha medo.

 

 

Como um balão que não sabe se enche ou se murcha. Fiquei horas de barriga para cima, numa calma de férias na praia típica de quando a cabeça de tão quente já não pensa mais.

 

E assim a gente é só corpo. Uma coisa crua. Nada de tão importante assim.

 

Não mais do que o que a gente pode sentir de simples.

 

 

Fotos: Mariana Caldas

Beleza: Rachel Ramos

Vestindo: Fernanda Yamamoto e Ronaldo Fraga

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  • Rafael

    Belo texto, gatona.

    • Lila Guimarães

      Obrigada, Rafa!!!
      Volte sempre!