Para pensar junto

Quando nos tornamos haters – um diálogo entre a paz e a tormenta

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Pode ser que não estejamos percebendo ou mesmo agindo de forma totalmente consciente. Pode parecer só uma discussão ou um jeito de chamar atenção, mas estamos, muitos de nós, sendo haters e negativos de plantão. É como uma droga que causa dependência aos poucos. No primeiro comentário sem pensar, uma reação imediatista num dia de estresse, logo o alívio do #prontofalei vem seguido de uma sensação estranha, uma angústia, um incômodo sutil parecido com aquele que sentimos quando esquecemos algo em casa. Algo está fora da ordem!

Geralmente, quando sentimos isso, é porque estamos esquecendo algo que de fato será muito útil. Seja um guarda-chuva, o carregador do celular ou mesmo o ingresso de um show. Dá um arrependimento irreversível, uma vontade de voltar no tempo e então pensamos que se tivéssemos mais cuidado não teríamos esquecido o tal negócio importante. Assim é quando depois de um desabafo agressivo na Internet passamos a nos sentir. Certo? Tem gente que vai chamar de bad vibe, uma energia estranha no ar. Têm também aqueles que não vão sentir nem perceber nada, porque está no automático. Mas algo está fora da ordem. Fora de controle e pode viciar.

Como quando provamos uma droga pela primeira vez e aquilo parece estranho. Depois, vamos nos acostumando até que precisamos de mais e, droga, começamos a gostar! Alguns ficam bitolados nisso, outros conseguem conciliar o hábito com as atividades cotidianas, mas sempre com algum atraso ou algum efeito colateral afetando o ritmo natural do corpo e da vida. Enfim, essa sensação de que perdemos algo estará sempre por perto logo em seguida a um comentário ofensivo. Mas o que será que perdemos?

Talvez a chance de ficarmos quietos, de não ter desencadeado alguma reação de dor ou afronta em outra pessoa, mesmo ela  supostamente estando errada. Afinal, você, eu, nós não somos os donos da razão. Em um bom embate de ideias, aliás, provar quem tem razão não é o que mais importa. Importante é que os pontos de vista se encontrem em um meio do caminho e que as pessoas consigam se flexibilizar diante de polêmicas e dilemas para um convívio harmônico e mais respeitoso. Precisamos focar nesse tipo de argumento e postura. Isso é uma regra de conduta social essencial em tempos virtuais e um esforço que vem da inteligência e do comprometimento em ser uma pessoa da paz. Fora isso, algo está muito errado com você (comigo, com todos).

Passamos a pensar nos desdobramentos daquele comentário. Aquilo fica remoendo na cabeça, aumenta a importância do assunto e faz o tempo parar. Algumas vezes temos até medo da perseguição de um maluco ou outro, especialmente, quando os comentários são vinculados aos perfis no Facebook. Enfim, perdemos algo que não volta (tempo e paz, por exemplo) e acabamos acumulando uma dor no estômago desnecessária! Conclusão: se é para investir tempo nas discussões, que seja para defender uma opinião com cuidado. Você existe, tem nome, rosto e identidade na rede e uma vida para ser bem vivida e a paz de todo dia para preservar. É o bastante para não nos tornarmos haters.

Foto: Chico Morais

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