Arte/ Para pensar junto

Quando ela diz sim: LILA!

lila cantora

Com sua voz suave e a fala tranquila, a cantora e compositora Lila me recebeu em seu apartamento no Leme (RJ) para um reencontro delicioso. Entre cliques e um papo que me fez acreditar que tudo está sob controle e que vai dar certo, redescobri Lila e fiquei ainda mais fã. Essa calma fez o tempo passar leve e a conversa ir por tantos outros assuntos além de sua música. Brincamos, inclusive, com a coincidência de nossos nomes artísticos.

Estudamos juntas na faculdade de Comunicação, na PUC-Rio. Ela era a menina mais linda da sala e a mais quieta também. Tirava boas notas, era educada e ainda tinha estilo. Por isso, chamava a minha atenção. Anos depois, por algum tempo, frequentamos o mesmo grupo de amigos. Naquela época, Eliza Lacerda, a Lila, fazia aulas de canto e todos já sabiam que ali havia um talento.

Quando vi sua carreira decolando, fiquei feliz e me senti num mundo justo. Afinal, viver de arte é um desafio. Em 2015 foi eleita a cantora revelação pelo Spotify e disputou a mesma categoria entre outros nomes de peso pelo selo Prêmio Multishow de Música Brasileira. Ela, que nasceu no Amapá e vive no Rio desde criança, sente o momento delicado da cidade e do país, mas segue com esperança e suas bandeiras de paz e amor. Embora toda a suavidade e malemolência, um charme todo dela, é possível ver Lila em sua versão mais dramática no clipe da música Bicheiro do Meu Samba ou em tom de protesto no sucesso do momento Não é Não!

cantora e compositora Lila

Hit feminista e dançante, Não é Não toca em todo lugar, até na comunidade holística de Piracanga, na Península de Maraú (BA), onde passei minhas férias no final do ano. “A inspiração para esta música veio da Primavera Feminista, com a campanha #meuprimeiroassedio, feita pelo site Think Olga. Tudo isso trouxe à tona o quão comum é essa situação, como o assédio mora nos hábitos cotidianos, e que toda mulher já viveu mais de uma história dessas. Eu também queria que essa música fosse para dançar. Foi durante as minhas aulas de dança, com o grupo feminista carioca Afrofunk, que percebi como a dança é uma das formas de libertação do corpo da mulher. Rebolar também é um ato político, daí surgiu Não é Não, conta Lila.

 cantora Eliza LacerdaDias depois da posse de Donald Trump, do mundo inteiro caminhar em uma apaixonada Marcha das Mulheres, enquanto no Brasil vivemos um panorama assustador de abuso e femicídio, a reflexão que originou a música Não é Não ganha ainda mais relevância. Os nervos estão à flor da pele e há ainda muito para lutar. Um caminho é a voz dos artistas e o que eles mobilizam de forma sutil, como a delicadeza de uma flor oferecida a um exército em guerra.

Parece forte a palavra feminista em pleno 2017 e ela anda sendo alvo de confusão e de críticas, mas é preciso dizer sim à ela, e evocar os seus princípios. Recentemente, o filósofo Mario Sergio Cortella deu uma entrevista que viralizou na Internet com um pensamento claro e simples sobre o tema: “O feminismo não é o contrário do machismo. O machismo é uma suposição de que nós homens somos superiores. O feminismo não é a suposição de que as mulheres são superiores. É a suposição de que homens e mulheres são iguais. Portanto, o contrário do machismo não é o feminismo, mas a inteligência”.

Por aqui, a gente se apega ao amor, à arte e à música em boa companhia. Lila preparou uma playlist dedicada ao feminismo para o Spotify do Cena Crua, CLIQUEM AQUI PARA OUVIR!

+ Ouçam MAIS uma playlist da Lila com suas referências brasileiras, para o Cena Crua!

     ..   violão da cantora e compositora Lila  compositora Lila  cantora Lila lila músicaFotos: Daniel Lima

Vejam os clipes das músicas O Bicheiro do Meu Samba e Não é Não:

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