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POR QUE É FUNDAMENTAL IR AGORA AO IMS?

Porque se trata de um encontro, ou de um reencontro essencial. Se trata de uma oportunidade de tocar na intimidade dos Yanomamis, das suas tradições e rituais de forma absolutamente única. Porque provavelmente, seria impossível de outra forma. A não ser pelas imagens que a fotógrafa Claudia Andujar captou durante os mais de 20 anos em que conviveu com os índios na Amazônia.

A exposição Claudia Andujar: a luta Yanomami, em exibição no Instituto Moreira Salles de São Paulo, reúne centenas de retratos e registros do cotidiano na floresta e é um resgate substancial da história do Brasil. São dois andares apresentando fases distintas do trabalho da fotógrafa que se tornou uma importante ativista pelos direitos indígenas e pela demarcação de suas terras.

claudia andujar retrato modaEditorial de moda clicado por Claudia Andujar para a revista “70”, da Ed. Abril, nos anos 70 *

Essa trajetória de envolvimento profundo e de confiança plena começa em 1971, quando Claudia registrou os Yanomamis pela primeira vez, para a revista Realidade. Hoje, faz todo sentido ir a esse encontro, se aproximar do que não aprendemos sobre os índios e nós mesmos.

Além da temática política e social que transborda das imagens, elas revelam a estética preciosa e artística nos rostos e corpos dos índios fotografados, a beleza de seus traços naturais e das pinturas que não podem ser copiadas. Antes de vestir aquela fantasia de carnaval daqui a alguns dias, é fundamental ir ao IMS e sentir como saímos de lá. Eu saí com o coração apertado, mas ainda mais apaixonada pela cultura original do país, pelas raízes que não podem ser arrancadas mesmo sendo constantemente ameaçadas. Fica até o dia 7 de abril, mas a dica é: vá agora, porque a exposição é linda demais!

* Adorei a descrição da maquiagem no editorial que, aliás, foi toda feita pelos índios da tribo Kayapó-Xikrins. Aqui vai na íntegra, com o direito à acentuação da época: “Beleza para os índios é pintura. A base é jenipapo misturado com cinza (prêto-azulado) e urucum esmagado com óleo (vermelho). Formais, absolutamente sem inovação, os motivos são aqueles que os antepassados traçaram. Uma só diferença: há uma pintura para a vida de todo dia e outra para os dias de festa. Exatamente como acontece as roupas dos civilizados. Para os dias de festa, esses dois longos. Um estampado em new-gazar e outro liso em gazine.”

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