Comportamento/ Para pensar junto

Por horas mais sinceras

Estar conectado é muito mais do que o que já fazemos automaticamente todos os dias. É uma busca interna com grande potencial de revelar soluções e respostas à questões do dia a dia. Para a nossa sorte, algumas pessoas nos ajudam a encontrar este olhar sutil para a vida e se especializaram no assunto, como a nossa colunista mensal Valentine Giraud.

No post Entrando no flow com Valentine é possível conhecer mais sobre a colunista que presta serviços de consultoria, facilita técnicas e jogos para empresas e pessoas antenadas a novos caminhos para uma vida leve e funcional.

Por Valentine Giraud

“As nossas escolhas, a cada momento, são pautadas pelo estado de espírito no qual nos encontramos”

Uma pausa no começo ou no final do dia para um momento de silêncio é fundamental para me manter centrada e mais calma. No meio de tanta confusão da cidade e demanda mental é muito fácil deixar o nosso centro – aquela força umbilical que nos conecta com nosso propósito maior – fraco e sem vitalidade. Com isso, nos perdermos daquilo que realmente queremos ou desejamos para nós, para as pessoas que amamos e mesmo para o planeta. Quando a gente vê, já comeu a comida que sabe que faz mal, saiu correndo atrasado de casa e pegou o carro para ir ali do lado porque já não dava mais tempo de pegar o metrô, e por aí vai. As nossas escolhas, a cada momento, são pautadas pelo estado de espírito no qual nos encontramos. Logo, se este meio está poluído de sentimento e de pensamentos confusos, longe do nosso real centro, nossas escolhas serão sim comprometidas.

Para manter esse espaço interno limpo e claro, duas questões ficam cada vez mais evidentes para mim. A primeira: é preciso ter consciência de que esse espaço existe e dos impactos que ele tem na nossa vida diária. A segunda: é preciso dar pra ele atenção num exercício diário de cuidado.

Esta prática de cuidado passa por prestarmos atenção. Prestarmos atenção naquilo que ocupa o nosso espaço pessoal. E fazermos um exercício de curadoria mesmo do que queremos ter dentro e ao redor de nós. Não estou falando de uma prática meditativa (embora ela seja muito boa), mas de um passo mais simples, de, no meio do frenesi, pausar e deixar o silêncio nos ocupar. Ficar lá, fazendo nada, só respirando e sentindo. Deixando os pensamentos virem e irem, como ondas num mar calmo. A cada inspiração ir mais profundamente para dentro de si e a cada expiração ir mais profundamente na limpeza e no deixar ir daquilo que não queremos guardar dentro de nós.

“Uma volta à casa”

Neste lugar de pausa e silêncio, quando nos acostumamos com ele, fica fácil reconhecer que existe um carinho, um colo, de nós para nós mesmos. Uma volta à casa. Um encontro talvez com o lugar mais delicado de nós, e que passamos a vida tentando encontrar novamente nas nossas atividades diárias, nos nossos relacionamentos, nos nossos sonhos e aspirações.

“…uma forma de trabalhar em alinhamento com uma noção de proposito e de missão”

A cada dia eu vejo crescer a vontade das pessoas se fazerem mais inteiras. Uma busca, individual e coletiva, por maior conexão com a nossa natureza mais essencial. Tendência essa que vejo aqui no Brasil e também em outras partes do mundo, à medida em que cresce o interesse por temas relacionados às potencialidades do ser, interconectividade e consciência. Seja pela prática de uma alimentação mais saudável, de reconexão com as estações do ano, o local do plantio, e a uma forma de produzir que respeita o nosso planeta. Seja pela escolha de um trabalho e uma forma de trabalhar em alinhamento com uma noção de proposito e de missão. Ou mesmo pelo uso de termos e palavras que antes ficavam restritas a certos universos e espaços, como: energia, holístico, experiencial, vibração, conexão, etc.

Seja por que motivo for, eu acredito na importância desse movimento e torço para que essa tendência nos ajude a transformar o nosso olhar sobre o mundo ao nosso redor e nossa relação com ele. Para que achemos no processo um lugar de mais amor e mais tranquilidade em como lidamos com nossos desafios e nossa existência humana. Imaginem só como poderia ser o mundo se prestássemos atenção ao nosso espaço interno como prestamos atenção a nossa conta bancária? Como poderia ser diferente o mundo?

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Foto: Victor Affaro 

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