Bem-estar/ Lifestyle

O SABOR DO TEMPO NO PROCESSO CRIATIVO DA SY&VIE

por

Esses dias, num jogo de tarô, O Mago apareceu para mim na casa que representa o cotidiano. Olhei bem para ele e antes que tirasse as minhas próprias conclusões, a taróloga Mayara Borguet (@lunatica.astro) me chamou atenção para o que ele queria me dizer ali com sua mesa cheia de ferramentas. Habilidoso e consciente do que tem nas mãos, o Mago é capaz de criar, fazer o que for preciso como precisa e deseja. A carta lembra o poder que temos de conduzir nossos processos diários sem que eles se tornem eternas repetições e ganhem um frescor artístico e singular. Ela evoca a tal da magia que num intervalo ou outro do dia é possível sentir, provocando também uma reflexão sobre o precioso tempo.

É claro que tenho pensado muito sobre o tema, mas melhor do que pensar é experimentar. O tempo, mesmo não parando, pode ser muito mais gentil quando escolhemos não confrontá-lo. Foi exatamente isso o que senti sentada na bancada de trabalho montada pela artista Sylvie Quartara, da marca de bolsas Sy&Vie. Era um “evento mão na massa” para celebrar o lançamento da sua nova coleção, a Terrara, há duas semanas no charmoso Flô Atelier Botânico. Mesmo para um dia de semana super corrido, mergulhar no tempo e criar uma bolsa com cristais e descartes da natureza garimpados por Sylvie me pareceu simplesmente irresistível. Ainda no convite, a seguinte frase me pegou: “Não existe criação sem tempo. Assim como o tempo, a criação é um evento psicológico, uma sensação derivada da transição de um movimento”. Fui, com muita vontade de saborear essa experiência sem olhar para o relógio.

Passei horas ali montando e desmontando layouts, testando combinações, manuseando materiais que não conhecia, como se nada importasse mais do que concluir aquele projeto. Éramos oito mulheres. Fui a última a ir embora. Com toques especiais da Sylvie, minha clutch toda em tons de madeira ficou quase pronta. A finalização vai ser feita com calma no ateliê da artista, onde ela produziu artesanalmente as peças da coleção com a técnica autoral assemblage, na qual combina elementos in natura, como cristais, plantas e flores, com as folhas de madeira usadas na marchetaria. As pedras escolhidas para esse trabalho foram rodalita, quartzo rosa e pirita que, em algumas peças, se transformaram em paisagens naturais para serem levadas para todo canto, o que ela chama de Nature-à-Porter.

Fotos: Cleiby Trevisan

Antes de encarar a missão de criar algo lindo, sem nunca ter feito nada parecido, senti uma certa dúvida. Durante o processo me critiquei, mas logo entendi que calar a voz antagonista seria mais proveitoso. Nos papos em volta da bancada, a diretora artística e editora Alexandra von Bismarck lembrou que o processo criativo é divino, e que enquanto estamos imersas nele há uma outra consciência, uma energia criativa que toma conta da situação. Por isso, não seria tão necessário saber exatamente como manejar os utensílios ali ou dominar qualquer técnica. Tudo seria leve e intuitivo. Pensei no livro O caminho do artista, da Julia Cameron (já falamos sobre ele no texto Páginas matinais e outros segredos para acessar a criatividade, escrito pela Valentine Giraud). Nele, a autora diz que é preciso olhar para o processo criativo como um encontro com o nosso Criador Interior e que essa é uma prática espiritual, uma possível aliança criativa com o Grande Criador. Ela frisa que não é preciso acreditar em Deus para vivenciar os exercícios propostos no livro e para perceber as sutilezas de um processo de descoberta artística. Logo, ela descreve dez princípios básicos que norteiam sua crença no desenvolvimento de um Ser Criativo e diz que a recusa em ser criativo é uma escolha que contraria nossa verdadeira natureza, já que a criatividade é a ordem natural da vida.

De tudo o que li do livro até agora, guardo uma frase que cai aqui como uma luva: “O cerne da criatividade é uma experiência de união mística; o cerne da união mística é uma experiência de criatividade”. Sinto que não é à toa esse movimento em direção ao misticismo, à valorização do tempo e da natureza – tudo tão profundamente interligado – tomando conta da moda, do comportamento e das imagens nas redes sociais. Talvez, esteja acontecendo agora uma grande busca por novas ferramentas de transformação, porque queremos e podemos criar um outro mundo, um pouco diferente desse do jeito que está. Esse é o meu pitaco. Então, segura na mão do Mago e vai!

Você pode também gostar de

Sem comentários

Deixe uma resposta