Bem-estar/ Lifestyle

O QUE TEM PRA HOJE: COMIDA CRIATIVA, RÁPIDA E SAUDÁVEL

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Comida criativa, um estilo de vida pautado no freestyle

Passei um final de semana na casa de amigos em São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira. Eles moram numa casinha de montanha deliciosa, perto da Pedra do Baú, e longe (pelo menos meia hora) de qualquer mercado ou feira de rua. Adeptos de uma alimentação saudável, na dispensa eles guardam farinhas especiais, leite de coco em pó, oleaginosas, grãos, massas e temperos, muitos temperos, de todos os tipos. No terreno da casa tem pé de banana e de limão, mas tudo o que é fresco deve ser comprado uma vez por semana numa ida à cidade.

comida criativa

Aqui, onde moro, no centro de São Paulo, tenho uns três mercados ao redor e um grande no quarteirão de trás da minha rua. Padarias infinitas, vendinhas de esquina e feira às quintas. Tá, mas e daí? Bom, daí é que de repente, durante esses dias lá na serra, acabei me dando conta de que não é preciso muito para comer bem, com um cardápio diverso e criativo.

Reparei que mesmo sem as facilidades que eu tenho aqui em casa, eles tiravam muitos coelhos da caixola e improvisavam os “rangos” mais gostosos e coloridos. Comia inspirada. Acho que eles têm um jeito livre de ver os alimentos e que principalmente se divertem quando chega a hora de preparar algo. Sem pressa, nem pressão, eles começam a juntar tudo o que têm e instintivamente vão dando forma a uma refeição cheia de alegria.

É claro que não estou comparando o nosso estilo de vida e nossa relação com o tempo. É claro que aquela família ainda não tem um filho com hora certa para comer. Não temos as mesmas condições, mas as mesmas ferramentas (eles ainda menos que eu). Ali virou uma chave. Percebi que toda vez que eu compro abobrinhas tenho a mania de prepará-las em fatias no forno com alho, pimenta-do-reino e queijo ralado. Fica divino! Maravilhoso! Mas por que não usar a abobrinha de outra forma? Por que não ralar a abobrinha e cozinhar num refogado junto com outro ingrediente ou mesmo por que não usar a abobrinha como um espaguete?

As perguntas passam a ser muitas. E mais, ainda, por que então eu não preparo um mingau diferente com maçãs picadas e levemente caramelizadas, além da banana com leite de amêndoas (feito em casa), aveia e quinoa? Por que o meu café da manhã tem que ser sempre tapioca e um suco de fruta? Por que não fazer um ovo mexido com cogumelos e tomates para um almoço rápido? Por que não ousar mais com ingredientes simples? Misturar coisas que às vezes parece que não vão combinar, mas que são tudo o que tenho no momento? Ou, por que não comprar quiabo, lentilha rosa, alho-poró, ou qualquer outro alimento que não tenho hábito de usar nas minhas receitas?

É preciso ampliar o olhar no mercado e em casa. Reconheço. Eu costumava fazer isso com mais frequência e sem pensar. Mas, sinceramente, quando a gente tem uma casa com criança para gerenciar, acaba esquecendo desse lugar. Acho que estou numa fase de adaptação, ainda me entendendo com as responsabilidades da maternidade (com certeza isso toma grande parte da minha atenção agora). Afinal, sim, eu sei o que posso e devo fazer quando quero acabar com as batatas excedentes da minha geladeira ou com algum alimento prestes a vencer. Sei que posso colocar morangos na salada de alface e finalizar com mostarda, azeite e limão. Também sei o que fazer quando só tenho arroz, milho e um restinho de frango.

Mas vi que tenho caído regularmente nas mesmas receitas. Até porque, se faltar qualquer coisa é só descer e comprar. Acho que não é essa a relação que eu quero ter com a comida de casa, tampouco, quero que ela seja toda programada. Pode ser prático assim, mas sinto que isso desgasta a criatividade e me deixa presa numa zona chata de conforto. Enfim… Também sempre acreditei que os temperos certos têm o poder de consertar qualquer comida, podem salvar uma gororoba ou simplesmente transformar uma invenção maluca num prato de chefe. Então, por que não arriscar mais?

Preciso de mais tempero em casa, essa foi a primeira constatação. Preciso especialmente de coisas que não estão à venda: de respiro, ânimo e prazer em me jogar no escuro das possibilidades. Vou me lembrar de improvisar como quando danço, ouvir música quando cozinho e me arriscar mais. Quero ter, de forma simples, sempre uma surpresa boa para comemorar no dia. Já comprei alho-poró e na lista de compras dessa semana tem lentilha rosa e quiabo!

foto: Annie Spratt

+ Vamos treinar um novo olhar?

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