Comportamento/ Para pensar junto

O PROCESSO DA BORBOLETA

Colunista do Cena Crua, facilitadora no Brasil do fantástico Flow Game e ainda por trás de projetos transformadores em empresas e festivais de arte e cultura, Valentine Giraud é uma grande amiga com quem divido uma série de inquietações. Nossas conversas muitas vezes acabam parando por aqui, onde procuro ampliar o alcance de alguns pensamentos com amor.

O assunto de hoje é delicado e o ponto de vista pessoal. Tine é quem entra em cena e carinhosamente assina o texto em que fala sobre separação. Ela divide sua dor e nos recoloca no prumo quando tudo parece perdido e sem cor. Uma reflexão carinhosa, um convite generoso ao recomeço documentado pela fotógrafa, e também amiga, Mariana Caldas, que registrou o lado poético de mudar, de sair do casulo e florescer.

Os finais são sempre um pouco (ou muito) difíceis. A gente precisa deixar ir aquilo que fora um dia parte de nós. Aquilo que nos ajudara a ser quem somos hoje.

Deixar ir é um ato tanto de nobreza quanto de coragem. Nobreza porque pressupõe o reconhecimento de que pra ser diferente, e talvez melhor, é preciso mudar, abandonar, transformar. Adquirir novos atos que em si trazem desconforto, pois mexem nas estruturas de quem somos ou achávamos ser, mas sabemos não poder mais manter. E coragem porque requer, muitas vezes, amputarmos a nós mesmos, matando aquilo que era tão parte de nós.

A separação de um grande amor, é especificamente difícil. Dói nas entranhas. Seja por vontade própria, seja pela vontade do outro, ou as circunstâncias da vida. Separar-se de quem se ama ou amou um dia é um convite a um mergulho na sua própria história. É quando vasculhamos o que fomos e também o que queríamos que tudo tivesse sido. São viagens aos lugares onde estivemos, a diálogos e a rituais que eram tão únicos.

Dá uma saudade daquilo que já foi, uma vontade de chorar pelas pequenas coisas, como a ida ao supermercado para comprar os ingredientes do prato favorito. Me disse uma amiga, que a saudade para sempre vai ficar, afinal só com aquela pessoa foram vividas aquelas coisas das quais sentimos falta sem querer.

Despedir-se é celebrar tudo aquilo que se viveu, que se sentiu e o quanto se amou. É olhar-se por dentro, revirado e exausto de tanto sentir, pra deparar-se com dúvida e ao mesmo tempo esperança de um começo de frescor.

Despedir-se é afinar em si a voz que sussurra pra você mudar e deixar ir. Cantar e dançar num ritmo só seu. É reconhecer o limite que tem o movimento das coisas e que, de um jeito ou de outro, tudo nessa vida é passageiro.

É honrar e beijar a mão que criou com você as linhas da história hoje tão suas, tão de vocês. É seguir amando mesmo sem amar. É acreditar que do outro lado do medo e da da solidão, existe um pouco mais de você esperando para desabrochar.

flor separações

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