Comportamento/ Para pensar junto

O meu amor

Viva o amor e todo o nosso potencial de criar com ele um mundo bem mais legal! O texto de hoje é da nossa colunista Valentine Giraud, que faz uma abordagem quase técnica sobre a fonte de alegria que é o amor-próprio e como ele se desdobra em uma vida mais funcional.

Por Valentine Giraud

Em tempos de celebração do dia dos namorados no Hemisfério Norte (Valentine’s Day), e sendo esse ainda o dia de homenagem ao santo que dá origem ao meu nome, achei propício escrever algo sobre o amor. Só que, diferente de falar de amor romântico, do sonho de encontrar o par perfeito, quero falar de auto-amor.

Quando morei fora do Brasil, o que eu mais sentia falta era de amor. Mas demorou para eu conseguir dar nome pra essa saudade tão específica e subjetiva. Eu tinha meus amigos, meu marido, a família dele e tudo mais, mas a cada ano que passava eu ia ficando mais murcha, como uma palmeira transplantada que sobrevive, mas não vive plenamente.

Não foi fácil entender que, a cada dia, morria um pouco por dentro pela simples falta de troca de amor. As relações lá eram mais frias, mais transacionais, menos afetivas e espontâneas. E minha alma sentia a ausência do carinho intrínseco que preenche as relações que construimos aqui.

Foi numa visita ao Brasil, no ano passado, que eu percebi isso – e tudo mudou! Eu percebi que temos aqui uma forma amável de nos relacionar, uma forma em que o toque, o abraço e a afabilidade fazem parte de como interagimos (do mais singelo contato aos mais profundos). Nossas músicas são banhadas de amor e de carinho. Elas falam de estar junto, de dançar junto, de comunidade. Elas falam também de fé e de um lugar de amor e sustentação mais elevado, de nós para com o Divino e do Divino para nós.

Ora, se nossas vidas estão permeadas por esses fluidos de amor (mesmo que sem consciência disso), então existe em nós uma fonte de amor que é muito grande e que provavelmente se retroalimenta de mais amor. Sendo assim, é muito importante que estejamos diariamente nutrindo essa fonte pra que ela esteja sempre abundante. E isso comeca com o simples ato de se amar. Se amar plenamente e todos os dias, agradecendo e celebrando a nós mesmos pelas nossas conquistas, pelas nossas qualidades e por tudo aquilo que somos.

O mais comum é a gente ficar esperando o reconhecimento e o amor vir de fora, das pessoas, e a terceirizar esse sentimento tão fundamental, muitas vezes, se frustrando quando não recebemos o amor do jeito que a gente esperava. Acho que isso acontece porque não aprendemos desde pequenos sobre essa fonte interna e nem sobre a importância de mantê-la sempre cheia e fluindo. Mas quando a gente acessa essa noção de se amar e praticar esse amor  (se acalantando e ninando, nas horas boas e nas horas ruins), aí a gente começa a experimentar um amor puro e infinito, e isso faz  parte da nossa natureza humana.

Com o auto-amor vem a auto-aceitação e o sentimento de merecimento, duas percepções importantes e tão difíceis de incorporar na vida, seja por frustrações passadas, por traumas, ou pelo que nos fizeram acreditar. Quando a gente se aceita do jeito que a gente é (buscando, claro, se desenvolver e crescer), a gente faz as pazes com a nossa natureza. Porque, afinal, não existe fórmula para ser alguém. Cada um é unico e exclusivamente diferente do outro. O que funciona para um não vai necessariamente funcionar para o outro. E é tão importante que a gente entenda e respeite isso.

Nossas naturezas, em todas as sua composições variadas, são singulares (e especiais!). Elas são o acúmulo de tudo o que já fizemos e escolhemos na vida, de cada evento, cada encontro, cada sincronicidade, e isso é um presente do Universo. Algo que só aconteceu uma vez em toda a história e que não vai mais se repetir.

Quando a gente se ama de verdade, a fonte interna se enche e começa a transbordar. Esse amor flui para fora da gente e quem está ao nosso redor sente e quer estar mais próximo pra receber e para doar um pouco, ampliando um campo vibracional de positividade e inteligência. Por isso, nesse dia de São Valentim, quando você vir os posts por aí de trocas e juras de amor, eu te convido a pensar naquelas juras e declarações que poderia fazer pra você mesmo. Naquele programa especial que você poderia te levar pra fazer e na demonstração de amor pra si, como o seu íntimo deseja e merece receber.

Até a próxima coluna aqui no Cena Crua!

flores amarelas

Foto: Érico Masullo

+ Adriana Barra recebe para o happening em sua loja, I Love Myself

+ Gift Economy por Valentine Giraud

Você pode também gostar de