Arte/ Notinha crua

MAR BRANCO

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São Paulo, um imenso mar aberto, cinza e com seres que habitam sua profundeza de forma brilhante. Desse mergulho meu na cidade, encontrei algumas luzes em movimentos interessantes. A artista plástica Beatriz Chachamovits pinta, esculpe e cria sem parar. Mar Branco é a sua exposição com abertura marcada para o dia 1 de abril, quando passa a ocupar a charmosa e contemporânea Galeria TATO, em São Paulo.

Mergulhadora, ela vai fundo na pesquisa pelas formas do oceano que traduz em arte. Seu discurso silencioso e claro como preto no branco resgata a necessidade de olharmos para essa vida, pela beleza, pluralidade plástica e, especialmente, pela urgência.

artecorais

Mar Branco ficará em cartaz até o dia 22 de abril na Galeria TATO, que fica na Vila Madalena, em São Paulo. Do lado de casa!

Beatriz Chachamovits anexa um documento ao divulgar seu trabalho, com dados e informações atualizadas sobre os corais em uma situação de risco alarmante e que compromete todo o planeta. A projeção para pouco tempo é inacreditável e sobre esses impactos quase não se fala. A fonte da pesquisa é o instituto NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, nos EUA) Segue:

Os corais são animais invertebrados que vivem fixos a rochas e a sedimentos no solo marinho. Juntam-se em enormes colônias – chamadas de recifes de corais, formando as maiores estruturas vivas da terra. Existem há mais de 500 milhões de anos e pertencem a mesma família das águas-vivas e das anêmonas. Alimentam-se de duas maneiras: por uma relação simbiótica com minúsculas algas que vivem em seus tecidos e que produzem açúcar por meio da fotossíntese; e na segunda forma capturando nutrientes com seus tentáculos. Alguns recifes, como a Grande Barreira de Corais da Austrália, por sua dimensão, podem ser vistos do espaço.

De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), esses ecossistemas são muito importantes porque fornecem proteção, abrigo, alimento e berçário para a grande maioria dos seres marinhos. É nesse habitat ideal que essas espécies marinhas se desenvolvem e se reproduzem.

A biodiversidade presente nos recifes de corais é tão vasta que chega a ser maior que das florestas tropicais, mesmo que eles cubram menos de um por cento dos solos oceânicos. Eles funcionam como um filtro e, nesta condição, são responsáveis por proteger as costas dos impactos ambientais gerados por erosão, correntes, ondas e tempestades. Devido a sua extrema delicadeza e sensibilidade à variação da temperatura e do pH da água, os recifes de corais são os primeiros seres vivos a serem afetados pela destruição ambiental produzida pela humanidade.

Atualmente estima-se que 25% dos recifes já não têm condições de se recuperar e 50% deles estão em risco de colapso total. Já que o recife também é responsável por proteger a costa, sem eles muitas ilhas irão desaparecer, as ondas, as correntes e as tempestades não terão nada para segurar seu impacto na terra. O Instituto mundial de recursos (WRI) revelou, em uma pesquisa feita em 2013, que até 2050 todos os recifes de corais do mundo estarão com seus dias contados.

O desaparecimento do maior sistema vivo que existe afeta diretamente a vida de 500 milhões de pessoas que dependem dos corais para sobreviver. Não só daqueles que vivem perto da costa, mas todos os seres humanos, pois a extinção deles coloca em situação de alto risco a saúde do planeta e, por consequência, dos seres humanos, assim como a própria dinâmica socioeconômica, princi­palmente, as atividades de pesca, costeiras e farmacêutica. Vale lembrar que a indústria da pesca oferece emprego para mais de 38 milhões de pessoas ao redor do mundo.

A cada ano que passa são descobertos novos meios de uso dos corais pela medicina. Eles são a base de muitos medicamentos, inclusive no combate ao câncer.

Nesta sala são apresentados exemplares de onze espécies, dentre aquelas dos que já mor­reram, em sua condição final. Brancas formas que nos apontam para a condição da ruína, que nos apontam para a realidade de uma morte anunciada.

Mar Branco de Beatriz Chachamovits

Abertura: 1 de abril de 2017, das 11h às 19h
Período expositivo até 22/04/2017

Galeria TATO 
Rua Fradique Coutinho, 1399, Vila Madalena | (11) 2389-1399
De seg. a sáb., das 11h às 19h.
tato@galeriatato.com

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