Beleza Crua

LUZ QUE VEM DE DENTRO: O NOVO SOM AUTORAL DE LILA

por

Depois de um tempo no silêncio, a cantora Lila parte para a produção do primeiro disco inteiro autoral. Sua carreira é marcada por um início celebrado com o EP Lila, que em 2015 rendeu indicações a prêmios de cantora revelação pelo Prêmio Multishow e pelo Spotify. No ano seguinte, mais dois singles de sucesso e em 2017 um EP com releituras de músicas de Carnaval. A trajetória ascendente da cantora amapaense, que até o ano retrasado morava no Rio e agora está em São Paulo, ganha uma força extra na retomada.

lila beleza crua

Programado para ser lançado no ano que vem, o disco é uma espécie de ode ao feminino e ao amor. Composto durante a gravidez e os primeiros meses com seu filho Bendito no colo, ele revela o contato da cantora e compositora com memórias ancestrais e a poesia do feminino.

Serão 9 ou 10 faixas que já estão a caminho da mix, com produção de Diogo Strausz e Tomás Tróia. Antes de masterizar, Lila quer experimentar as faixas na vida real com a sinergia do público em shows minimalistas. Uma aposta para finalizar o disco com elementos vivos, paridos desse momento de concepção fora da própria concha.

Curtindo o novo projeto, Lila aproveita para testar suas possibilidades estéticas num ensaio clicado pelo Victor Affaro com uma make que adorei. Pérolas e tons de rosa nas pálpebras (hit no último SPFW, veja a matéria da Vogue que conta mais sobre essa tendência) cheios de simbolismo numa beleza delicada e iluminada em referência a uma luz que vem de dentro. Ouvi algumas músicas do disco, me apaixonei e conversei sobre tudo isso com a Lila que já tinha aparecido por aqui no CENA CRUA (leia aqui!).

Lila

“Desde que comecei a fazer o disco, venho colecionando referências visuais e amadurecendo o que vai ser a imagem desse som. Começou com o sentimento que virou música e vai acabar tendo uma cara. Estou pensando nessa representação para o show, a capa do disco e tudo mais. O disco tem muitas facetas. Todas elas a respeito da experiência da gravidez e da maternidade vivenciadas principalmente pelo corpo. Tem uma música que fala do cansaço da gestação, outra do parto que foi uma experiência muito intensa, sem analgesia nenhuma. Foi assustador porque estava muito frio, era madrugada e estavávamos só eu e Pedro (seu marido, o fotógrafo e diretor criativo conhecido como Cartier Bressão), dois marinheiros de primeira viagem. Nesse trabalho também falo da menstruação que a gente vivencia há centenas de anos de forma colonizada pelos homens. Aos poucos estamos ressignificando o nosso ciclo e nos distanciando da visão masculina sobre o nosso próprio corpo, fazendo as pazes com esse processo de renascimento criativo. A última música a ficar pronta se chama Cura e a sonoridade dela sempre me trouxe uma sensação muito mística. Melodia e letra vieram juntas. É um trabalho que me reconecta com a ancestralidade feminina esquecida e que sinto transbordar com o amor e a força do encontro com o meu filho.”

Você pode também gostar de

Sem comentários

Deixe uma resposta