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cristais sustentabilidade bem estar
foto: Krystal Ng, no Unsplash

Tenho mania de colecionar pedras e cristais que encontro por acaso especialmente quando viajo. Eles ficam todos juntos num prato bonito de mármore. Não separei por cor, nem por ordem de grandeza e preciosidade. Eles ficam lá como um pequeno e poderoso centro de memórias e de energia, num canto da casa para onde eu vou de vez em quando como um bichinho de luz procurando a lâmpada. 

Acontece que, de repente, passei a me chocar ainda mais com a beleza das pedras e também a ter curiosidades sobre os seus poderes ocultos em tanto silêncio. Me questionei se gostar de cristais nos dá o direito de extraí-los, de arrancar das rochas os seus pedaços milenares. Pensei no impacto ambiental que isso pode causar, quis entender mais sobre tudo isso. 

É difícil ter informações concretas e confiáveis sobre essas explorações e atividades, e sobre como elas podem ocorrer com respeito ao trabalhador, à comunidade e ao meio ambiente. Existe o Certificado de Kimberley que é um tratado internacional, assinado inclusive pelo Brasil, que proíbe a comercialização de diamantes extraídos de zonas de conflito, os “diamantes de sangue” que ganharam fama por conta do filme com Leonardo DiCaprio. Até aí, tudo bem, porque isso seria o mínimo, mas sinto que precisamos pensar mais na sustentabilidade desse comércio no geral.

Ainda tenho muito o que pesquisar sobre o assunto e também entender comigo como administrar essa atração que tenho pelas pedras. Não sou de comprar, mas depois de ler sobre os benefícios energéticos dos cristais confesso que fiquei com vontade de ter mais alguns aqui em casa. E foi conversando com a litoterapeuta Letícia Grossi, do Caracoracao Atelier, que me tranquilizei um pouco com a sua opinião de que os cristais são um presente da natureza assim como os alimentos e que é possível usá-los com respeito e a favor do equilíbrio pessoal e do mundo, já que essa é a função deles. Para ela, e outros estudiosos como Angélica Lisanty, autora, professora e idealizadora da Litoterapia (prática terapêutica baseada nas propriedades químicas das pedras e cristais, que trabalha a partir de trocas vibracionais, todo o sistema corporal: físico, emocional, mental e espiritual), faz mais sentido que os cristais estejam ao alcance do homem para que eles possam nos ajudar em processos de cura e de realização. Segundo as pesquisadoras, cada região do planeta possui minerais que vibram a sua realidade e trabalham por ela.

Claudia Briganti e Marianna Mugnaini, sócias da Ágata Pedras, joalheria online e que só trabalha com pedras de fontes confiáveis (licenciadas), também me passaram um outro ponto de vista interessante. A partir das pedras, muitas pessoas começam a se abrir para a intuição e para uma sabedoria que vem do todo, algo que só é possível acessar através de elementos representativos como os amuletos. Os cristais, para elas, são como um portal que trazem para o dia a dia a conexão com o planeta e com a responsabilidade e o cuidado que devemos ter com ele.

Essa visão espiritual sobre as pedras me encanta, mas ainda me faz pensar que é preciso ter cautela com o seu consumo, como devemos ter com o consumo de tudo o que é da natureza. Afinal, um cristal verdadeiro é uma formação sofisticada, uma combinação química entre minérios, minerais e metais com milhões de anos de idade. É claro que isso não brota como tomatinhos! Ainda segundo as meninas da Ágata, existem pessoas que compram toneladas de pedras para enterrar novamente, para devolver aquele poder ao lugar de origem.  

Sim, acho lindas aquelas drusas e peças enormes para decorar, energizar e proteger a casa, mas talvez não me sinta totalmente confortável em tê-las assim. Sou a favor da democratização dos cristais e do uso universal do que pode ser positivo, mas acho que com inteligência e intenção é possível potencializar qualquer pedacinho de luz. Por isso, penso que as pedronas podem ficar nos espaços terapêuticos ou mesmo embaixo da terra. E também quero ficar mais de olho na procedência dos meus cristais. 

Por aqui, tenho pedrinhas que me ajudam sempre: as selenitas brancas que purificam tudo o que tocam e não precisam de limpeza ou de energização, pois fazem isso sozinhas. Uso para limpar joias e para equilibrar os sete chakras principais, num ritual simples e relaxante que aprendi numa aula em casa com a Letícia. Também estão na minha wish list os massageadores faciais de jade ou de quartzo rosa em duas versões: o roller e o gua sha. Dizem que ativa a circulação, acalma a pele, tira inchaço, elimina toxina, promove um lifting natural e tudo mais. A questão agora é: pensar e pesquisar antes de comprar pedras. Seja ela qual for e para o que for. Certo?

 

 

Foto: Kolleen Gladden no Unsplash

Não me sinto bem ao interagir com pessoas muito competitivas. Não é que seja totalmente contra competições: em situações inofensivas, acho divertido, tipo uma partida de buraco ou pebolim. Recentemente, também voltei a frequentar os treinos de handball, um resgate da adolescência (muito mais divertido, na minha opinião, justamente por ser menos competitivo). Mas há situações que, embora menores, não são nada inofensivas. Tem gente que quer tanto sempre ganhar em absolutamente tudo na vida, que considera qualquer nuance de sucesso do outro um convite ao duelo. Já passaram por isso? 

O que há por trás dessa competição por tudo? Ela é um sinal de garra? Ou uma dinâmica nociva ultrapassada? 

Uma parte de mim sempre achou que não querer ser muito competitiva era uma evolução. Outra parte, que talvez fosse uma fraqueza de personalidade, uma falta de força de vontade? Fui dar uma olhada na psicologia por trás da competição. A essência da coisa é: para você ganhar, alguém tem que perder, e vice versa. Ou seja, para você mostrar que é bom, tem que mostrar que alguém é pior que você. 

A competição é sempre, segundo a psicologia, extrínseca. Ela é um estímulo que vem de fora. A pessoa, então, não está competindo por conta de uma motivação interior, porque alcançar aquele objetivo é moralmente a coisa certa a ser feita (o que seria intrínseco).  

Foto: Ryoji Iwata no Unsplash

Vencer é bom, um sinal de sucesso, e traz um benefício real para o competidor (uma promoção no trabalho, a atenção de um amigo). Mas nessa dinâmica, uma vez que o estímulo externo desaparece, a pessoa também deixa de buscar e conseguir essa vitória. É por isso que falam que a competição leva ao resultado certo, pelos motivos errados.

Conclusão: essa leitura embasou o sentimento ruim que pessoas muito competitivas provocam em mim. Porque elas não estão apenas vivendo a própria vida. Elas estão usando a de outra pessoa para mostrar que a delas é melhor. 

Sei que tem gente que vai dizer que a competição é “inerente à condição humana”. Mas a evolução tá aí para consertar essas coisas, não?

E o sucesso? Eu acho que ele não tem nada a ver com a competição. Para mim, o sucesso é você ser bom o suficiente numa determinada coisa. Mas você não precisa mostrar que é melhor do que todo o resto para ser bem-sucedido. Vai ter gente melhor, vai ter gente pior, vai ter gente igual. Você é bom o suficiente, faz a sua parte com competência, vontade e paixão, querendo evoluir a partir de onde parou, não de onde o coleguinha está. Mas a discussão sobre o que é sucesso é outra história, para uma próxima conversa. Tchau! <3