Para pensar junto

COMPETIR PARA QUÊ?

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Foto: Kolleen Gladden no Unsplash

Não me sinto bem ao interagir com pessoas muito competitivas. Não é que seja totalmente contra competições: em situações inofensivas, acho divertido, tipo uma partida de buraco ou pebolim. Recentemente, também voltei a frequentar os treinos de handball, um resgate da adolescência (muito mais divertido, na minha opinião, justamente por ser menos competitivo). Mas há situações que, embora menores, não são nada inofensivas. Tem gente que quer tanto sempre ganhar em absolutamente tudo na vida, que considera qualquer nuance de sucesso do outro um convite ao duelo. Já passaram por isso? 

O que há por trás dessa competição por tudo? Ela é um sinal de garra? Ou uma dinâmica nociva ultrapassada? 

Uma parte de mim sempre achou que não querer ser muito competitiva era uma evolução. Outra parte, que talvez fosse uma fraqueza de personalidade, uma falta de força de vontade? Fui dar uma olhada na psicologia por trás da competição. A essência da coisa é: para você ganhar, alguém tem que perder, e vice versa. Ou seja, para você mostrar que é bom, tem que mostrar que alguém é pior que você. 

A competição é sempre, segundo a psicologia, extrínseca. Ela é um estímulo que vem de fora. A pessoa, então, não está competindo por conta de uma motivação interior, porque alcançar aquele objetivo é moralmente a coisa certa a ser feita (o que seria intrínseco).  

Foto: Ryoji Iwata no Unsplash

Vencer é bom, um sinal de sucesso, e traz um benefício real para o competidor (uma promoção no trabalho, a atenção de um amigo). Mas nessa dinâmica, uma vez que o estímulo externo desaparece, a pessoa também deixa de buscar e conseguir essa vitória. É por isso que falam que a competição leva ao resultado certo, pelos motivos errados.

Conclusão: essa leitura embasou o sentimento ruim que pessoas muito competitivas provocam em mim. Porque elas não estão apenas vivendo a própria vida. Elas estão usando a de outra pessoa para mostrar que a delas é melhor. 

Sei que tem gente que vai dizer que a competição é “inerente à condição humana”. Mas a evolução tá aí para consertar essas coisas, não?

E o sucesso? Eu acho que ele não tem nada a ver com a competição. Para mim, o sucesso é você ser bom o suficiente numa determinada coisa. Mas você não precisa mostrar que é melhor do que todo o resto para ser bem-sucedido. Vai ter gente melhor, vai ter gente pior, vai ter gente igual. Você é bom o suficiente, faz a sua parte com competência, vontade e paixão, querendo evoluir a partir de onde parou, não de onde o coleguinha está. Mas a discussão sobre o que é sucesso é outra história, para uma próxima conversa. Tchau! <3

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