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BATONS VEGANOS E UM NOVO JEITO DE COMPRAR

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Fotos: Victor Affaro Beleza: Jonatan Nunes, com batons Face It

 

Há cerca de um mês, fui tomar um café com Elza Barroso, uma das donas da marca de batons veganos Face It (referência em performance nesse nicho, ganhadora do prêmio Ecoera de 2018). Ela queria me mostrar a nova linha Soul Sexy, da grife: quatro cores com acabamento mate (que as brasileiras amam) numa versão mais hidratante, graças à manteiga de karitê (os outros batons da Face It são de manteiga de cacau orgânico). Feitos na Itália, eles têm alta pigmentação, algo raro em maquiagem vegana. Os dois tons de vermelho que eu e Lila usamos na imagem de abertura deste post são bons exemplos. Decidimos mostrar o quarteto no ensaio que ilustra este texto, aproveitando para unir dois temas complementares: maquiagem vegana e consumo consciente.

Batom Hottie, linha Soul Sexy, Face It

Empresa pequena e familiar, a Face It não tinha ponto físico até a abertura da Bemglô, em maio passado. Ao descer a rampa do endereço localizado no início da Oscar Freire, em São Paulo, tive a impressão de entrar numa daquelas boas multimarcas com aquela vibe chique effortless carioca. O projeto criado pela atriz Gloria Pires e pela ex-modelo e empresária Betty Prado é isso mesmo, mas vai além. Não à toa, Elza me convidou para conhecer o lançamento de sua marca lá, tomar um café, circular pela loja como se fosse uma das donas. Todas as grifes escolhidas por Betty, responsável pela curadoria, têm esse passe livre de usar o espaço para eventos, lançamentos, networking, para de fato trazer um pouco da vivência e do lifestyle da marca. 

Batom Obscene, linha Soul Sexy, Face It

Ícone de moda dos anos 80 e uma das primeiras modelos brasileiras com projeção internacional – foi musa de Helmut Newton, fotografada por Richard Avedon e garota-propaganda de Karl Lagerfeld -, Betty escolheu cada uma das mais de 50 marcas vendidas na Bemglô, fazendo um equilíbrio do melhor dos dois mundos: o design apurado com a responsabilidade ambiental e social. 

Na parte da beleza, além da Face It, são destaque a Terral, com os sabonetes que eu e Lila adoramos (estou apaixonada pelo de patchouli, e esperando ansiosamente pela volta do creme facial também de patchouli, que ainda não experimentei), a Vyvedas, uma das pioneiras entre as empresas de cosméticos orgânicos (o aromatizador de ambientes deles de Romã é uma coisa, o sabonete líquido de mãos, também) e a Quintal, com o tratamento facial usado atualmente por Betty. Ela, aliás, é daquele tipo walk the talk (pratica o que fala): faz questão de cuidar da pele, mas sempre da maneira mais natural o possível, e é do time das mulheres não intervencionistas, que não só não se incomodam com as linhas do tempo no rosto como as cultivam como símbolos das histórias que viveram. “Só o cabelo, que acho lindo branco, mas continuo pintando. Talvez pelo meu tipo de fio, cacheado, já meio bagunçado, tenho a impressão de que não vai ficar bom”, diz, lembrando a gente de que é preciso intenção e ação, claro, mas cada um pode construir o seu equilíbrio da beleza e do consumo natural e consciente, sem precisar seguir uma cartilha rígida pré-estabelecida para ganhar o selo da “mulher verde”. 

Batom On Fire, linha Soul Sexy, Face It

Além de beleza, há marcas de moda muito legais como a Hype, com biquínis e maiôs gráficos, sexy e arrojados, a Iara Wisnik, com looks terrosos, confortáveis e cool, as estampas únicas e exóticas da Irrita (marca da estilista Rita Comparato, ex Neon), as jaquetas coloridas feitas com tecido de velas de kitesurf da Kite Coat e as cerâmicas da Fátima Moreira

Os preços variam, alguns especialmente convidativos, outros nem tanto, mas baseados, segundo as marcas, nos preceitos do comércio justo. Assim, quando vejo um maiô que custa R$ 400 da Hype, ele continua custando o mesmo que o de uma marca sem valores sustentáveis, mas, para mim, sai mais barato, porque estou escolhendo para quem vou dar o meu dinheiro, que tipo de negócio estou incentivando a crescer, com quais valores trabalhistas, ambientais. Isso não justifica, sob o argumento de “ajudar marcas bacanas” (atenção!), o consumismo desenfreado, talvez pelo contrário: faz com que a gente pare e pense diante de uma roupa bonita. Porque não é apenas sobre a qualidade do tecido, do acabamento, da informação de moda daquela peça, embora também.

Batom Attraction, linha Soul Sexy, Face It

Minha mãe, que é uma simpatizante, mas não uma praticante 100% do consumo consciente, entrou por acaso outro dia na loja e ficou, como eu, encantada. Está na Oscar Freire e não na Vila Madalena, justamente pra tentar sensibilizar quem ainda não foi tocado pela urgência do comércio mais justo e consciente, me contou a Betty. Quem ainda não conhece, recomendo, e ainda tem um café ótimo, o Catarina Coffee and Love. Muito inspirador e acalentador ver gente usando a atenção que ganha – pode ser enorme, como a Gloria Pires, ou menor, como eu, você, cada um com seu alcance – para contribuir para que o mundo fique melhor, menos violento, mais justo com pessoas ganhando corretamente pelo trabalho que fazem, e a gente contribuindo ao comprar de marcas que praticam isso.

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