Para pensar junto

AS FASES DA LUA E O REENCANTAMENTO DO MUNDO

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Outro dia me peguei muito interessada em experimentar um tratamento capilar feito numa determinada fase da lua. O Encanto da Lua Cheia, do Laces, é um combo de tratamentos naturais de fortalecimento e crescimento dos fios. “Mas não vai aumentar volume do cabelo, já que é feito na lua cheia?”, questionei Cris Dios, tricologista e dona do salão, que é focado em tratamentos naturais. Amo o volume da minha juba, mas suas dimensões já estão de bom tamanho, não preciso ser mais leoa do que isso. Aí a Cris me explicou que a lua cheia não é a fase da lua para deixar o cabelo…cheio. Não é tão literal assim. É um momento de fortalecimento, de ação, de executar o que foi planejado, de crescimento em todos os sentidos, inclusive, o capilar. Pois bem, fiz o ritual, que envolve dois tratamentos famosos do Laces (o multivitaminas e o bordado, um corte que não diminui o comprimento, mas tira as pontas duplas e secas). Nos meses seguintes, meu cabelo cresceu consideravelmente. Não sei dizer se foi exatamente por conta do microcorte e dos cuidados na lua cheia, mas afinal, quando se trata de questões que vão além do que a gente chama de ciência moderna, nunca dá para saber, não é mesmo? 

Desde criança ouço falar das fases de lua e seus reflexos na natureza e no ser humano. Racional desde pequena, nunca dei muita bola. O tempo foi passando, as vivências se acumulando e me mostrando que talvez considerar apenas o que pode ser comprovado dentro de um laboratório talvez fosse uma escolha um pouco limitada. Afinal, a medicina contemporânea é isso: para provar que funciona, precisa ser testado em várias pessoas (ou ratinhos) e dar o mesmo resultado na maioria maciça. Ainda assim, tem aqueles efeitos colaterais que acometem 1% ou 2% dos que tomam o remédio para mostrar que, de fato, não somos todos iguais e que quase nada nessa vida tem 100% de garantia. Da mesma forma que a ciência moderna encontrou sua forma de averiguação de eficácia, outras ciências podem ter uma outra maneira de revelar seu funcionamento. E não é de hoje que o homem olha para a lua e é influenciado por ela.

Pensar que a lua influencia o corte de cabelo pode parecer excêntrico fora de contexto, mas nem tanto se a gente considerar que a lua nos influencia há milhares de anos. Planejamos a nossa vida moderna de acordo com o ciclo lunar: o mês foi criado a partir do tempo que a lua leva para dar uma volta completa na Terra, ou 29 dias e 12 horas (por não ser um número de dias redondo, alguns meses têm 30 dias, outros 31). Assim que a agricultura foi criada, há 10 mil anos, os agricultores começaram a perceber que depois de 12 luas novas (ou seja, depois que ela dava 12 voltas na Terra), as plantas amadureciam e era a época da colheita. 

Milenarmente e por empirismo, algumas pessoas passaram a notar que cada fase desta volta da lua tinha uma influência diferente na gente. Não à toa, nossa vida em semanas também foi determinada pelo ciclo lunar: desta vez pelo número de dias, entre 7 e 8, que cada fase da lua dura. A maneira que a gente a vê depende da posição em que ela está entre o nosso planeta e o sol, revelando a suas quatro fases: nova, cheia, minguante e crescente. Há variações de interpretações, pela média peguei esta do UOL, que entrevistou a astróloga Mozana Amorim. Ela diz que a lua nova é a dos começos, de planejamento das coisas de maneira mais cautelosa, para começar a pensar mas não executar. Na lua crescente se concretizaria os planos, hora de executar, colocar a mão na massa. Na lua cheia, é quando estamos exalando nossas máximas potências: a nossa semana mais exuberante. E minguante, a de encerramento de ciclos, mais introspectiva. 

Nem tudo é tão determinante e cada pessoa tem um tipo de sensibilidade (ou até nenhuma, para determinadas questões). Mas acho que há algo entre nós e a lua, assim como as marés (esta influência a ciência comprova cientificamente) que talvez não possa ser explicado tão racionalmente. Recentemente, ouvi o historiador Rui Luis Rodrigues comentar, no podcast da revista Quatro cinco um, que vivemos hoje um processo de reencantamento do mundo. Depois de uma fase definida pelo sociólogo alemão Max Weber como desencantamento, por conta da lógica industrial, da ciência alçada como a detentora da verdade, a gente estaria lentamente recuperando questões ligadas ao maravilhoso e ao sagrado. Não para retroceder, mas talvez para reequilibrar? Ou mesmo que seja só para inspirar. Já é muito.

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